Alguns meses atrás, li na internet algo que me chamou a atenção. Eu já sabia desta verdade, mas nunca achei que seria tão bem escrita por alguém. Pensei em todos os anos em que fui exatamente o que ali estava escrito e cheguei à conclusão que fiz o certo.
Quando me casei (com 19 anos) trabalhei por mais algum tempo e com o primeiro filho, achamos por bem eu cuidar dele e da casa, até porque seria mais econômico, pois escolinha ou empregada dava quase o meu salário. Depois foram chegando mais um e mais um e assim me conformei em ficar em casa.
Meu marido precisava de um grande respaldo, ele trabalhava, estudava e viajava muito e eu precisava estar à frente de tudo, para ele se jogar no que fazia sem preocupações familiares.
Pois bem, passaram-se os anos e eu me descobri mais do que uma mãe e uma simples dona de casa. Levava e buscava os cinco filhos na escola e em outros cursos, costurava , fazia cortinas, reformava roupas, fazia crochê, tricô, salgadinhos doces e bolos para festa de todos, lavava e passava ternos e camisas sociais, vestidos de festa, consertava tudo que quebrava em casa (ou quase tudo) além de ser a dona felicidade, como diziam, pois este era o meu astral.
Hoje me recordo que eu me doei e me anulei completamente para o bem estar de todos… Mas dei uma grande vira volta. Com os filhos criados, o mais velho casado, as moças terminando a faculdade e a raspa de tacho com dez anos veio comigo. Saí de casa e vim morar novamente em São Paulo, no Ipiranga, onde já morava antes, pois estávamos em Barueri embora ele trabalhasse em São Paulo.
Chegou minha vez, arrumei um emprego em imobiliária, até mesmo para testar a minha capacidade, penei por uns três anos até tudo se encaixar, confesso que foi muito difícil até tudo ficar mais ou menos resolvido entre mim e o meu marido que passou a ser ex, por conta da minha decisão.
Nada como o tempo para curar as feridas…as coisas foram tomando seus lugares e a uns seis anos trabalho com ele. Assumi o posto de gerente no escritório, para o bem dele, meu e dos filhos, enfim da família. E assim sigo novamente gerenciando tudo, com a diferença de ter horário para entrar, sair, sábados, domingos e feriados livres, tenho salário, férias, 13º e sou respeitada!
Aprendo todos os dias e me sinto uma nova pessoa. Tudo valeu muito à pena, meus filhos estão formados casados e cuidando de suas famílias, só a caçula que é jornalista mora comigo.
Hoje somos parceiros de trabalho e frequentamos juntos festas, churrascos e reuniões de filhos netos e familiares. Ele tem o seu espaço e eu o meu. Mas vou postar aqui o que li na internet e que deu origem para eu contar esta passagem da minha vida a vocês.
"Sou babá, psicóloga, professora, motorista, cozinheira, faxineira, arrumadeira, enfermeira, mediadora e coordenadora de uma grande empresa que é o lar. Estou 24h de plantão os sete dias da semana. Não me pagam salário, férias, nem 13º, não me dão licença nem quando estou doente. Mas tenho que dizer a todos que me perguntam… Que eu não trabalho! Fala sério!
E-mail: [email protected]