Café da manhã

Hoje no café da manhã, como de costume, comi os meus dois pães Francês com manteiga (aviação) e um copo de leite com café. Veio-me na lembrança a década de 50 quando mudamos para São Paulo, morando no Tatuapé.<br><br>Papai foi trabalhar na Vigor como contador (antigamente era Guarda Livros). A mamãe começou a costurar e logo foi trabalhar em uma malharia na Rua Oriente (Mantricot). Meu irmão mais velho engraxava sapatos, o Plínio segundo filho tratava de um problema na sua mão. Ficou morando com minha avó na Rua André Vidal, Travessa da Celso Garcia devido à facilidade de ir às Clinicas toda semana para tratamento, tendo a minha tia como companhia para levá-lo.<br><br>Ficávamos em casa eu e o Paulo que era o caçula. Toda tarde nós dois íamos à padaria comprar uma bengala para o café da tarde. Partíamo-la em três, deixando um pedaço para o meu irmão "Tota" o mais velho. Meu pai como trabalhava na Vigor, todo final de mês no pagamento levava uma barra de manteiga (acredito que era de um quilo) que durava mais ou menos uns dez dias. Eu e o caçula comíamos bem devagar e com tanta vontade, torcendo para que aquele pedaço durasse para sempre, tal era a vontade, que delícia, que coisa boa, “xi” já acabou que pena.<br><br>Quando o Tota foi trabalhar no centro de São Paulo, a bengala era dividida só para dois, que ótimo. Engraçado – hoje no café da manhã, fiquei pensando que poderia comer até 20 pãezinhos, mas não consigo ir além dos dois.<br><br>Manteiga então tem para o mês todinho, além de queijo, frios, suco, etc. Mas sabem de uma coisa! Não tem o mesmo gostinho da bengala com a manteiga daquela época, será que saudade tem gosto.<br><br><br>E-mail: [email protected]