Por toda São Paulo tínhamos campos de futebol de várzea, em todos os bairros tínhamos grandes times e ligas que promoviam e organizavam os jogos e campeonatos, sempre aos finais de semanas ou feriados porque a maioria dos atletas eram pessoas que trabalhavam para ajudar no orçamento.
Eu, felizmente, era um desses jovens apaixonados por futebol, joguei em um belo time chamado Cistál A.C do Jaraguá, embora tenha jogado em outros times como o XV da Lapa, Flor da Água Branca, Rio Verde de Pirituba, Resolit da Lapa e outros. Sendo uma das principais opções de lazer, os campos varzeanos lotavam e os jogadores se dedicavam de corpo e alma a esse esporte, na época se viam grandes clássicos regionais e na nossa região se destacavam alguns times fora esses que já citei. Tinha também o Pirituba F.C, Jd. Regina, Comercial de Pirituba, Jaraguá F.C, Taipas F.C, 7 de Setembro da Freguesia, Moinho Velho, Satélite, Sobrados de Itaberaba, Portuguesa da V. dos Remédios, Alvi Verde da Lapa, Vasco da Lapa e tantos outros; vinham grandes times também de outras regiões participar de festivais e torneios rápidos e promoviam grandes espetáculos que davam gosto de ir aos campos.
Quero lamentar o final de mais um campo de várzea que está sendo desativado para dar lugar a um condomínio, o do Cristál do Jaraguá, que ajudei fundar no inicio da década de 60, de onde saíram alguns jogadores profissionais, inclusive o Marcos Assunção, craque do Palmeiras.
Antes, o jogador era forjado na várzea onde se aprendia a malandragem (no bom sentido) do futebol e muitos foram brilhar nos grandes clubes do Brasil e do exterior. Hoje, o garoto, para mostrar seus dons ou aprender a jogar, tem que se matricular em uma escolinha, os professores aprenderam a fabricar “brucutus” e o futebol brasileiro caiu muito, qualquer jogador mediano que se destaca um pouco já o rotulam de craque. Antes, o treinador da seleção brasileira tinha a sua disposição quatro ou cinco grandes jogadores para cada posição e éramos temidos no mundo inteiro. Hoje, o dinheiro fala mais alto e poucos jogadores honram a camisa amarelinha.
Por tudo isso sinto muita saudade dos campos de várzea e dos espetáculos apresentados neles. Um grande abraço a todos os leitores.
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