Zona Leste com dez anos de USP

Um grupo de professores da Universidade de São Paulo, de várias unidades, em 2002, teve por missão a criação de novos cursos na, então constituída, Escola de Artes, Ciências e Humanidades – uma nova unidade no campus da USP, mais conhecida por "USP Leste". O local escolhido foi num terreno enorme, cheio de mato, seco, com vacas, cavalos cuidados por um posseiro muito bravo, ao lado de uma fábrica de arames, cercada de casas simples, em ruas sem asfalto nem luz – um desafio para os responsáveis pela construção da obra gigantesca no bairro de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da cidade.

Pela minha especialização profissional, como docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) fui uma das coordenadoras responsáveis escolhidas para criar o Curso de Lazer e Turismo, então nascente. Outros nove programas foram concebidos por colegas das áreas de Ciências das Atividades Físicas, Ciências da Natureza, Ciência Ambiental, Gerontologia, Marketing, Políticas Públicas, Sistemas de Informação, Tecnologia Têxtil e Obstetrícia (hoje alguns nomes mudaram).

Lembro de quanto tempo nos consumiu essa tarefa de estruturação do trabalho, com as respectivas aprovações legais – decisões do nome, da primeira frase à última – das disciplinas elencadas, conteúdos, bibliografias, etc. Reuniões sempre as quartas na Prefeitura da USP, campus central, com o staff decidindo, cuidando dos detalhes teóricos e práticos. Como um evento prestes a acontecer, corria o ano de 2003 e 2004 com os preparativos burocráticos.

Veio o trabalho de campo, em 2005, após a seleção da Fuvest, com a chegada dos 1.080 alunos da primeira turma alocados em dois prédios novos, ainda modestos para o projeto completo – hoje servem para o grêmio e empresas júnior. Igualmente foram plantadas árvores nessa quantidade de alunos, na entrada do campus para homenageá-los. Quem passa pela rodovia Ayrton Senna, as vê crescendo, vigorosas, dando brilho ao cenário universitário na divisa com a capital com Guarulhos, a caminho de seu Aeroporto Internacional André Franco Montoro.

Para alegrar a festa dos novos estudantes, na fonte que enfeitava o caminho principal da entrada, não deu outra – os primeiros calouros foram jogados na água que tinha um pó vermelho (Ki-Suco), espalhado pelos veteranos da "USP Oeste". Depois dessa, a fonte secou.

Aos poucos, ano a ano, foram sendo contratados novos docentes, vindos para atender a demanda das classes. Novos amigos junto com a comunidade da região foram mudando a paisagem do local. Para ajudar, um coral da USP Leste foi formado, regido por um querido docente maestro e, após as aulas, ocorriam em ensaios musicais alegres, heterogêneos, por vezes desafinados. Em grandes eventos, o grupo era destaque e muito requisitado.

A turma foi aumentando, outros prédios sendo construídos e o trabalho crescendo. Desde então, mais turmas de alunos foram se formando, sendo inseridas no mercado de trabalho, ajudando o desenvolvimento econômico, cultural, político e social da cidade e do país.

Eu fui adiante, em 2008 voltei para minha antiga unidade (ECA/USP) e deixei grandes colegas coordenando esta tarefa. A partir dai, atuando em outro lado profissional do turismo e eventos, tenho encontrado muitos alunos e ex-alunos dessa unidade, em estágios, dirigindo negócios, bem alocados, felizes, dando continuidade à sua carreira, graças a essa semente plantada pela USP, estimulada pelo Governo do Estado de São Paulo e abraçada pela Universidade. Também os docentes que lá permaneceram seguiram com o valioso trabalho, com novas atividades de pesquisas, extensão e cursos, inclusive de pós-graduação.

O local ficou maior, melhor, a USP deu um novo destino ao local, ajudou a desenvolver a região em todos os sentidos. Apesar de muitas controvérsias, das evasões e outras dificuldades, sem dúvida foi extremamente positiva a iniciativa do poder público, com todo empenho da Instituição.

Hoje, em 2012, o espaço está cercado por palmeiras, com um verde cuidadoso, espaços de recreação, de eventos, auditórios, uma biblioteca magnífica, além de outros benefícios, como a estação de trem que serve a seus usuários – não só universitários, mas inclusive a população local.

E vai ficar ainda melhor quando novas unidades forem incorporadas ao campus da USP Leste na cidade de São Paulo. Quem viver, com certeza verá!

E-mail: [email protected]