Recordações da Rua General Jardim

Tenho gratas recordações da Rua General Jardim. Meu primeiro contato com o local foi através do lindo palacete do início do século, onde está instalada a Escola de Sociologia de São Paulo. Lá, eu recrutava minhas entrevistadoras e ia assistir aos seminários do professor Muller, isto no início da década de 60. Nos anos 70, por um bom tempo, a General foi meu local de trabalho, como planejador, trabalhava na MPM do bom Petrônio Corrêa.<br><br>Por indicação de meus companheiros de criação, passei a ser cliente do doleiro Seu Mario, um italiano de mais de um metro e noventa, dono da Confeitaria Little, que acumulava com a atividade de fornecedor de dólar. Seu estabelecimento localizava-se na mesma calçada da Escola de Sociologia, a poucos metros do prédio onde se instalava a Norton, do inesquecível Geraldo Alonso, bem defronte à Biblioteca Monteiro Lobato e a alguns passos do sonhado La Licorne.<br><br>Além de dólar, sua atração era o prazer que as coisas ali produzidas proporcionavam ao paladar de sua requintada clientela. A Little, já na década de 70, tirava de sua máquina italiana o legítimo café expresso, uma raridade na época, produzia os cremosos “gelattos” italianos, finos doces típicos de Itália e na época do Natal um delicioso panetone, também fabricava massas e alguns pães. Naquela ocasião, bem no centro da loja, ficava exposto um panetone gigante, de no mínimo quatro quilos.<br><br>A Little completa este ano 51 anos de atividade contínua. Seu Mario vendeu a Confeitaria. Seu sucessor e a esposa até hoje conservam a equipe e o rol de produtos que seu Mario lançou. Atualmente, de segunda a sábado, oferecem uma boa alternativa para um almoço bastante agradável e de preço justo. O cardápio bastante compacto propõe a cada dia diferentes opções de comida ítalo-brasileira.<br><br>Pessoalmente, sou fã do almoço das sextas-feiras, neste dia é oferecido um espaguete ao pesto, delícia que me apetece desde que passei a conhecer a receita original, muito bem descrita pelo jornalista Mino Carta. A receita modernizada é produzida em um processador de alimentos e não no mortaio da receita original, leva nozes no lugar dos pinolis, conservando em sua modernidade todo o perfume e a sutileza de paladar da receita original, enriquecida pela massa produzida no local.<br><br>Na última sexta-feira, meu almoço foi: roseta com manteiga. Espaguete ao pesto, com peixe a milanesa, um copo de vinho argentino, uma água mineral com gás, uma pastieira de grano e um café expresso com creme. Esta deliciosa refeição custou pouco mais de R$ 30.<br><br>Às centenas de publicitários que trabalharam na MPM e Norton e ex-alunos e professores da Escola de Sociologia, recomendo uma visita de saudades à velha e boa Confeitaria Little.<br><br><br>E-mail: [email protected]