Décadas de 50/60.<br>Ginásio Estadual Alexandre de Gusmão.<br>Rua Bom Pastor – Ipiranga.<br><br>Curso ginasial… Mestres como: Cretella, Rute, Ercilia, Bueno, Ferrari e entre outros, Dona Berta (Berta Camargo Correa), professora de Português. Dona Berta, nossa temida professora de Português, era fã (esta palavra acho que nem existia) de Camões…<br><br>Ela se deliciava em apresentar estrofes dos Lusíadas para que nós alunos fizéssemos a "análise lógica" em diagramas, onde tentávamos mostrar: sujeito, sujeito oculto, objeto direto ou indireto…<br><br>Mas, o Murruga tinha uma variedade de construções que nos deixava perdidos e ela, pacientemente, interpretava cada frase, nos mostrando a lógica do autor…<br><br>Enquanto a professora, com "caligrafia" perfeita, escrevia alguma frase de algum verso de Camões no quadro negro, a ansiedade de ser o primeiro a dar sua impressão e tentar decifrar palavras e combinações gramaticais assustava os coitados dos alunos… E ela, de forma paciente, ia nos ensinando…<br><br>Um dia, Dona Berta escreveu na lousa um soneto de Camões:<br><br>"Alma minha gentil, que te partiste<br>Tão cedo desta vida descontente,<br>Repousa lá no céu eternamente"<br>…<br><br>E nos contou ter sido uma homenagem que Camões dedicara a "Dinamene", sua namorada chinesinha… e que morrera em um naufrágio, onde Camões teria salvo os manuscritos do "Lusíadas"… Após a aula, um de nossos colegas, o Ubirajara, vítima constante da interpretação dos versos de Camões, mostrando toda sua ira:<br><br>- Vejam só, o caolho, ao invés de salvar a linda chinesinha, meteu o calhamaço dos Lusíadas em baixo do "subaco" e até hoje só nos atormenta.<br><br>E imitava a pretensa figura, dando braçadas… para gargalhadas da turminha…<br><br>Bons tempos…<br><br><br>E-mail: [email protected]