No ar e na terra: dois personagens, duas situações

-Ao término do programa – De olho na cidade – das 5:00<br>até as 6:00 h. de segunda a sábado, o madrugador<br>radialista se despede e efusivamente anuncia o Jornal<br>Eldorado. <br><br>Em seguida, monta a pauta de outros programas, sai do<br>complexo gráfico e radiofônico do O Estado de São<br>Paulo, na marginal do Tiête e se dirigi ao Campo de<br>Marte, aonde o aguarda um helicóptero da rádio<br>Eldorado. O Reporter Aéreo vai observar e orientar<br>seus ouvintes sobre a situação do trânsito. Talvez seja<br>essa a rotina. Talvez seja muito mais.<br><br>Ainda no decorrer do super matutino programa, ele o<br>Geraldo Nunes, orgulhosamente chama sua coléga que já<br>esta se locomovendo com o carro da Eldorado/OESP pelas<br>ruas de São Paulo.<br><br>- E aí Sandra Cabral? Aonde você se encontra tão cedo?<br>Como esta o transito? Algum acidente? Alagamentos,<br>muitos buracos? Pessoas saíndo de barracas de lona<br>plastica precáriamente montadas e espalhadas pelos<br>jardins centrais das avenidas? E os camelos da <br>feirinha da madrugada? Os termometros dispostos no teu<br>trajeto marcam quanto graus Celsius? Alguma situação<br>merecedora de nota ou acompanhamento jornalístico?<br><br>É mais ou menos assim que as indagações são feitas. <br><br>Segue-se um diálogo rápido, elucitativo e pragmático,<br>contudo num tom de cordialidade.<br><br>É o jornalista das frias madrugadas depois de acordar<br>a todos paulistas com o seu despertador maldito ou<br>maudito. Pede para tocar as trombetas de Gericó, os<br>clarins da cavalaria americana e o enervante toque de<br>levantar-soldado. O mesmo respeitado homem do São <br>de Todos os Tempos, o reporter do helicóptero que caiu<br>na marginal de Pinheiros e que graças a técnica do<br>piloto estacionou bem em baixo de uma ponte. <br><br>Depois disso, mesmo assim continua percorrendo todas<br>as manhãs o espaço aéreo de SAMPA. São, São Paulo, meu<br>amor, diria o compositor baiano.<br><br>Mas agora a dupla se formou. Juro que não é sertaneja.<br>É paulista, acho que é paulistâna. Se não for, que<br>seja. Vamos batiza-los na Igreja da Sé e pronto.<br><br>Pelas ondas da rádio e no espaço aéreo, o traquejado<br>radialista, o escritor, o narrador, o memorista<br>preocupado com a toponimia e exatas abrangências das<br>ruas, bairros e cidades.<br><br>Nas vias públicas, rodando, observando, conversando,<br>entrevistando. Ela, a voz doce, porém marcante. Texto<br>correto, exato e de coloquial improviso. Sim, a Sandra<br>Cabral. <br><br>Menina. Me pareceu assim de repente, linda se fez<br>notavel profissional.<br><br>Viva São Paulo, proclama Juliano após ler um texto em<br>menos de um minuto.<br><br>- Porém Sandra Cabral, eu ouvinte da rádio Eldorado,<br>faço-lhe um encarecido e urgente pedido. <br><br>Num dia desse, bem cedinho, venha até os lados do<br>nosso Itaim Bibi/SP. Em especial estacione em frente a<br>rua Iguatemi nº9, no final da rua Joaquim Floriano.<br>Cuidado com a curva. Olhar a direita!!!<br><br>Verifique o lastimável abandono, a constante e<br>criminosa depredação da memorável Casa Bandeirista.<br>Sinta o horrível odor exalado pelos montinhos de lixo<br>deixados na madrugada pelos serventes dos inúmeros <br>barzinhos agora dominando o Itaim Bibi e a Vila<br>Olímpia. <br><br>Tudo depositado na calçada da outrora bela e imponente<br>Casa Grande da Chácara do Itaí, cuja instalação se<br>iniciou com os padres jesuítas, ampliou-se com os<br>Bandeirantes servindo a eles como pouso e <br>descanço, sem contar que foi sede dos Couto de<br>Magalhães e sanatório do Dr Brasílio. <br><br>Reporter, por favor, desça do carro. Ande por entre os<br>entulhos depositados pelas demolidoras e construtoras.<br><br>Tudo isso a beira do enorme, alto e sujo muro do<br>quarteirão entre o final da rua Joaquim Floriano até <br>a rua Aspasia. Quase que não dá para se notar as <br>poucas e valiosas árvores da Mata Atlântica<br>entre um pedregulhado estacionamento aberto.<br><br>Chame a rádio Eldorado. Entre no ar. Fale com o<br>Geraldo Nunes e descreva o quadro. Proclame por<br>soluções.<br><br>Depois retorne pela rua Tabapuã, passe na Igreja de<br>Sta.Teresa, bem na esquina da rua Clodomiro Amazonas.<br>Reze por nós. <br><br>Siga em frente. Cruze a transversal ou quase<br>transversal rua Manoel Guedes. Essa rua não é<br>contínua, quebra-se pelo lado de quem vai para a rua<br>Joaquim Floriano.<br><br>Continue subindo a Tabapuã, entre a direita. Siga pela<br>ainda calma rua João Cachoeira, a mais comercial da<br>região e nessa época toda enfeitada pelo Club dos<br>Lojistas da João Cachoeira. Um verdadeiro <br>shopping center a céu aberto, com direito a bancos de<br>madeira, etc.<br><br>Observadora Jornalista Sandra Cabral, estacione o<br>carro de reportagem e procure especificamente por uma<br>travessa sem saída, a rua Mariano Amorim Carrão. <br><br>Pergunte, indague. Esta lá. Existe. Tem <br>CEP e tudo.<br><br>Até a pouco tempo esse espaço era uma área pública<br>fechada, cercada. Digamos que quase invadida,<br>apropriada. Um espaço áéreo encoberto por um grande<br>estacionamento privado. Isso mesmo. Só vendo <br>para acreditar. <br><br>Mas o mais importante de tudo isso. Constate o que<br>agora esta sendo feito. <br><br>Cuidadosamente revitalisa-se o espaço com a<br>implantação de enorme jardim interno, uma boa<br>iluminação, bancos e lixeiras. Dizem que vão instalar<br>um sistema com exaustor e um Tele-Centro com<br>computadores e internet para a comunidade. <br><br>Parabéns autoridades municipais e palmas à empresa<br>comercial responsável. Agora é usar, manter e cuidar. <br>Não se esqueçam da segurança do local.<br><br>Dica de um morador. Entre no enorme prédio. Peça e<br>tome o delicioso café da manhã na Praça de Alimentação<br>do hipermercado na esquina da rua João Cachoeira com a<br>rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr. Tem umas trufas…<br><br>A noite, depois das 17h. tem um delicioso e leve <br>chopp. Vamos marcar um encontro? Poderemos até bater<br>um papo e/ou ouvir umas piadas do Sr. Juca Chaves ao<br>lado da sua musa inspiradora a Sra. Yara, moradores do<br>bairro.<br><br>Sente-se ao lado da enorme, larga e alta janela<br>envidraçada. Observe o outro lado da esquina da rua. <br><br>Vais ver mantendo-se firmemente ainda de pé uma enorme<br>e quase centenária árvore. Uma figueira ou falsa<br>seringueira, com suas raízes saltando pela calçada,<br>marcando seu espaço. Como que dizendo, …daqui não<br>saio, daqui ninguem me tira.<br><br>Essa planta foi merecedora de um emotivo texto ditado<br>pela Da.Guiomar Schilaro, premiada crônista, memorista<br>e contadora de histórias. <br><br># do Grupo Memórias do Itaim Bibi.<br><br>*Só preserva que conhece. <br>Vamos conhecer para poder cuidar.<br>