Feira de arte e artesanato

Nos dias 28 e 29 de maio, completei minha décima visita sucessiva à Feira da Praça da República. Atualmente, sou conhecido pelos artistas e artesãos da feira como personagem que busca reunir forças para recuperar o conceito que a Feira já teve em passado não muito distante. Como já registrei em crônicas anteriores, a Subprefeitura da Sé é a entidade responsável pela realização da feira. Existe também uma Associação dos Feirantes que até agora não consegui identificar juridicamente. Nos mais de cem contatos pessoais que mantive no transcorrer dos últimos três meses, constatei que a maioria dos inscritos não está satisfeita com a atual situação. As principais queixas são:<br><br>I – O decreto que regulamenta a Feira é muito amplo e não destaca e valoriza os aspectos culturais e de atração turística, inerentes ao próprio conceito histórico da Feira de Arte, Artesanato e Colecionismo da Praça da República.<br><br>II – Não existe um planejamento para coordenar e fiscalizar as ações de divulgação e promoção do evento, nem para incentivá-lo.<br><br>III – As licenças dos participantes, fornecidas pela Subprefeitura da Sé, são de um lado muito liberais e de outro muito rígidas. Elas não são renováveis automaticamente por ocasião da morte do inscrito. Tal fato não leva em conta que a atividade artesanal é predominantemente familiar, passando de pai para filho e até neto.<br><br>IV – A distribuição dos artesãos no espaço da Feira não é planejada. Isto gera um aspecto caótico na área do artesanato, a mais numerosa. Pelo decreto, existem mais de vinte categorias, formando o universo do artesanato. Na dispersão das barracas, é difícil para o frequentador localizar as que reúnem o menor número de participantes inscritos. <br><br>V – Um bom percentual dos participantes considera que o ideal seria setorizar a Feira, reunindo em segmentos contínuos os expositores de uma mesma categoria.<br><br>VI – A Feira, em seus primórdios, ocupava toda a praça e se expandia pelos arredores. Era realizada aos domingos e agrupava de forma bem definida os segmentos de Arte Plástica, Numismática, Filatelia, Gemas e Artesanato. Por suas características, era um evento turístico e cultural por excelência. Atualmente, os expositores se queixam que falta atenção para o aspecto de atração turística, fator esquecido ou desleixado pelos setores competentes.<br><br>VII – Apesar da localização central, o local é deficiente quanto aos serviços auxiliares de: limpeza, segurança e higiene. Os sanitários da Praça estão interditados. Não existe unidade de policiamento, municipal ou militar, e faltam representantes da Secretaria de Turismo para orientar os visitantes.<br><br>VIII – Os equipamentos autorizados para abrigar os expositores são em sua maioria impróprios para as funções de expor corretamente os produtos ofertados. Para o grupo de roupas, por exemplo, faltam cabines provadoras. As barracas de bijuteria e de artigos de couro são idênticas em seu formato, quando seria ideal que cada setor pudesse utilizar barracas especiais para expor e guardar os diferentes artigos oferecidos.<br><br>IX – As duas feiras de sábado e domingo geram dispersão de artesãos. O ideal seria a eliminação da feira de sábado, incorporando seus inscritos em uma única feira de domingo da Praça da República.<br><br>X – Objetivando a reforma da feira e o estabelecimento de um novo planejamento, seria recomendável constituir um comitê de participantes eleitos pelos diversos segmentos. Este comitê buscaria mobilizar entidades que, em seu conjunto, batalhem pela valorização, ampliação, promoção e divulgação da feira e sua importância cultural e turística. Tais entidades seriam:<br><br>Secretaria Municipal de Cultura<br>Secretaria Municipal de Turismo<br>Sutaco<br>Associação Viva o Centro<br>Sebrae<br>Sesc<br>Rotary Club<br>Metrô<br>Fundação Roberto Marinho<br>Associação dos Feirantes<br>Incubadora da Fundação Getúlio Vargas<br>Subprefeitura da Se<br>Câmara Municipal de São Paulo<br>Escola de Belas artes<br>ESPM<br><br>Na condição de cidadão paulistano que ama sua cidade, que valoriza seu passado e sua cultura, e que pretende preservar suas tradições sem ignorar o instante presente, coloco-me como voluntário a aglutinar esforços para tornar a Feira de Arte, Artesanato e Colecionismo da Praça da República um retrato fiel de nossa cultura, como já foi em seu glorioso passado.<br><br><br>E-mail: [email protected]