Ano 1964, no final da hoje radial leste, quase que defronte ao Hospital Dom Pedro II, existia um parque municipal onde praticamente passamos nossos períodos de crianças e adolescentes na nossa juventude. O parque tinha vários brinquedos, como balanças, campo de futebol, quadras esportivas, salão de jogos bordados, dentista, enfim, tudo que um menino pobre necessitava para também conseguir ter um divertimento dentro de uma sociedade. Reuníamo-nos todas as noites, menos aos sábados e domingos. Existia também uma piscina, vi vários comentários de que o nosso político José Serra chegou a frequentar este parque, pois este grande político era nascido e morador da Mooca.
Tínhamos uma turma de amigos de um mundo. No campo de futebol a iluminação era precária e quando queimava uma lâmpada nós mesmos resolvíamos o problema, pois existia uma escada em cada torre, e os mais habilitados trocavam a tal lâmpada. Existiam jogos de futebol que chegavam a ser espetaculares. E também tínhamos um grande time de futebol de salão. Existia também uma ótima diretoria, que mantinha o parque nas melhores condições possíveis, tínhamos também, após as 22h, banheiros com ótimos chuveiros, com certeza melhores do que os que tínhamos em nossas casas, e um lanche excelente, com sanduíches alternados, ou seja, mortadela, presunto e queijo, leites, sucos e até anchovas com camarões da Tailândia (brincadeira), mas era um lugar iluminado onde raramente você via alguém triste e existia também a parte feminina com escolas de crochê, costura, bordado, enfim, eu diria um local que faz muita falta nos dias de hoje.
Jogávamos todas as semanas contra adversários ou de outros parques ou da nossa própria várzea. Uma vez que os muros deste parque eram baixos, e muita vezes quebrados, existia invasores; nos fundos deste parque passava o Rio Tamanduateí, não sei se este seria o nome de alguma tribo indígena.
Em uma destas noites nós, correndo perto das cercas, nos deparamos com uma pessoa com um binóculo (este em cima de uma árvore) e tinha em suas mãos um binóculo de primeiro mundo. Já na época, com uma potência espantosa, este cara já conhecia alguns amigos meus, pois ele residia na Rua Caetano Pinto, quando perguntamos o que ele fazia em cima das árvores ele nos confidenciou que vinha ver os casais namorar no escurinho pensando que ninguém os via naquela árvore. Aí, claro, começamos a fazer o mesmo: ele nos emprestava o binóculo e nós subíamos na árvore e ficávamos assistindo o namoro e, realmente, você via tudo perfeitamente claro, que nem todos gostam de ver desta forma.
Mas, com o tempo, foi se acumulando pessoas e pessoas e pessoas até sair várias brigas, para se assistir no melhor local, e um dia, ao ouvir muito barulho, o dito cujo foi até o muro e, de revólver em punho, fez ameaças; ouve até muita discussão. Aí a diretoria do parque comunicou o exército que começou a colocar dois ou três soldados para fiscalizar o local e, assim, acabaram com a alegria das criancinhas.
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