Luar da minha terra

Meninos ainda, do sertão viemos para cidade morar.

Início dos anos 50, São Paulo já era o orgulho do Brasil, terra dos destemidos bandeirantes que adentraram o marco das Tordesilhas e deram ao Brasil o colosso de dimensões continentais que hoje é.

Crescendo fomos e nas noites enluaradas do fim de outono no quintal do casarão onde residíamos, o luar resplandecia e a fogueira acesa para aquecer e alegrar as noites frias em homenagem aos santos dos festejos juninos.

Meu pai, tocando violão e com a voz de tenor que tinha, relembrava os tempos que do interior ainda inóspito dos sertões da noroeste morávamos, cantava a belíssima toada:

“Ai que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão.”

O tempo passou, a infância se foi, a fogueira cinzas virou, o casarão desapareceu e o violão, à harpa lugar deu e que lá de cima, talvez, o Tenor, à Terra olhando, quem sabe, tocando-a, esteja relembrando ainda:

"Ai que saudades do luar da minha terra…"

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