Apea do Céu

Observação: Trata-se de uma história de ficção, como se fosse um sonho, todos os personagens relacionados nessa história foram moradores muito conhecidos no bairro do Brás, cada qual com sua característica própria e que, infelizmente, não se encontram mais entre nós, todos eram frequentadores do clube do Apea, localizado na Rua Caetano Pinto, e que marcou época nos anos 60 e 70 no mesmo bairro.<br><br>Sonhei que "Deus" me deu um dom celestial e com ele a grande oportunidade de conhecer o Céu por um dia inteiro. Pois bem, ainda estupefato com a presença de "Deus" e a divina chance recebida comecei minha curiosa peregrinação nessa imensidão chamada "Céu". Logo que entrei, pude notar, de imediato, várias colônias espirituais, mas uma me chamou mais a atenção pela felicidade e extrema alegria. Na placa encostada em uma nuvem bem grande pude ler o nome: “Colônia do Apea – o esporte faz amigos”. Meu coração foi apertando e batendo em disparada, meus olhos foram se enchendo d'água e um filme começou a passar na minha frente.<br><br>Comecei vendo o grande presidente da fraternal colônia, Seu Damião, que comandava tudo com muita paz e satisfação, pude notar que ao seu lado estava uma pessoa com uma áurea muito brilhante e um pé tamanho gigante, sim era ele mesmo, o simples e gentil Manzano, que vestia uma camisa do Apea com um pedacinho de cada uniforme que ficou sob sua guarda durante toda vida, mais adiante, um pouco, vi o Bertoli, junto com o Wagner (irmão do Wanderley), preparando o almoço da turma. Hum… Deu até água na boca. Ao seu lado, estava o Seu João Mazullo, que tirava um sarro dos demais com a famosa frase: "Quem falô???".<br><br>Continuei seguindo e vi que na mesma área estava o Migué, todo eufórico, pedindo para o pessoal separar o famoso "dinheirinho na mão amiguinhos", do contrário, o almoço não seria servido; atrás dele vinham o Wilson Caboquiú e o Furlan, que alegremente organizavam o bingo a ser realizado após o almoço. Pude notar que entre uma venda de cartela e outra o Furlan jogava uma partidinha de bilhar com o Marinho que, com uma latinha bem gelada de cerveja, combinava com o Airton e com o Wagner loiro uma super balada à noite, provavelmente em um Inferninho, com todo respeito ao Céu.<br><br>Perto do pessoal da cerveja e do bilhar notei a presença alegre do Parreira (pai do Gavião) e do queridíssimo Peru, que deliciava-se com uma Kaiser bem gelada. Totalmente inebriado e caminhando à frente fui vendo o pessoal do futebol batendo bola em um campo gramadinho e enorme, sob a batuta da dupla de técnicos Cutcharra e Genaro Porco. Vi craques arrepiando a bola, Tinho, o tanque goleador; Eugênio; Regí; Pláscido; Jessé; Medusa; Cajá, no gol fechando tudo ou quase tudo; Caveira (tio do Douglinhas), Rene e Sidinei "deixa que é minha". Para meu espanto, vi também um senhor com uma camisa preta de árbitro com os seguintes dizeres no peito: "assim na Terra como no Céu, juiz exclusivo do Apea", era simplesmente o Catalão, que nas costas tinha o número 12 sinalizando que em campo sempre foi o décimo segundo jogador do Apea. <br> <br>Foi com muita emoção que percebi que bem perto do campo encontravam-se uma turminha da PBA e adjacências, meu pai, Wilson Portella, que conversava animadamente com o Evaristo (pai do Zé-loca e do Neco), com o Seu Ildo (pai do Pagliucca), com o Ventura, com o Seu Thomaz e com o pai do Fiapo e do Nelsinho. Dali onde eles estavam consegui avistar o meu sogro, Seu Luiz Carlos, que pacientemente encerava o seu “buggy” vermelho que agora também tinha listras pretas e brancas.<br><br>Continuando minha trajetória, avistei um bar bem próximo ao campo. Lá, contavam piadas e jogavam palitinhos Titoca, andando perfeitamente bem; Cuca, sempre uma fortaleza legal e elegante; Seu Manolo (pai do Toninho e Claudinho); Sid-bala; Cisco; Mané Gordo; Fubeca “hei guinha"; Russo (pai do Adi, Ivan e Marcio); Ceico; Hélio Fernandes; Zuco e o avô do Amauri com aquela simpatia peculiar. Mais atrás, em uma calçada florida e bem comprida escutei uma música que dizia assim: "É trabalhando que carrego a minha cruz"; sem olhar já sabia que era o Seu Rogério (avô do Adi, Ivan e Marcio). Na sequência, vinha também um doidinho mancando e falando: "Se mete com os caras do Apea", sim era ele mesmo, o Pedrinho, filho do Eugênio-chulé que chegava para cortar o cabelo com o Seu Afonso. Nesse momento também vi o Pitoco fazendo a barba com o Praxedes, no mesmo recinto.<br><br>O dia ia passando rapidamente e eu ainda extasiado com tudo aquilo que estava vendo pude encontrar uma figura doce e agradável: era o Nelson Cassavia que me fez um sinal com um sorriso largo e singelo e, ao seu lado, estava o Tanu (avô do Mauricio e do Sandro). Os 2 se gabavam que o palmito e a mortadela deles eram as melhores do Céu. Já preocupado e triste, pois sabia que estava chegando a hora de voltar para minha realidade, fui surpreendido por um grito de uma pessoa querendo bater uma foto de todos, imaginem quem era? Pedro Bresser, o fotógrafo oficial do Apea, tentando reunir todos para uma foto histórica no Céu, bem em frente à bandeira do Apea, feita pelo o Anderson e que sumiu. Imediatamente entendi onde ela foi parar, e fiquei sabendo naquele momento que foi o Pixinxa quem a levou para o Céu; sorri ao lembrar-me de como o Pedro Bresser sofria para reunir o pessoal do Apea para uma foto (certamente o céu é o lugar mais correto para essa figura singular).<br><br>Bem, com o passar do tempo, já ia eu procurando o portal do Céu, para regressar, quando o meu grande amigo Airton chamou-me e me deu esse recado: “- Aqui no Céu, todos nós do Apea, estamos muito felizes e olhando por todos os nossos amigos e familiares que se encontram na Terra. Claro que a saudade é muito grande, mas sabemos que, um dia, todos nos veremos novamente. Esse é o seu sonho Mumu e o nosso sonho aqui do Céu é vermos os amigos apeanos unidos e convivendo juntos, sempre em harmonia e com muito amor, pois a vida é muito curta e temos que aproveitar os bons momentos vividos com os amigos e familiares”.<br><br>Triste por ir embora e, ao mesmo tempo, muito feliz por rever vários amigos, fui ultrapassando o portal entre o Céu e a Terra, quando escutei um chamado lá longe: "Hei Mumu, chupa que a cana é doce”. Grande Bombeiro!<br><br>Valeu Apea, por nos proporcionar tudo isso, esse com certeza foi um recado do Céu para nós que estamos por aqui e temos a oportunidade de conviver com nossos verdadeiros amigos.<br><br><br>E-mail: [email protected]