Amizade, um presente de Deus!

Segunda-feira, 2 de julho de 2012, chego a minha querida São Paulo para fazer uma visita a minha amiga- irmã que está internada no Hospital Samaritano, Liberdade (minha amiga está com a saúde muito comprometida, esperava um transplante). Saio do metrô e dou de frente com a Capela de Santa Cruz das Almas (Igreja dos Enforcados). Portas abertas de dentro vêm um canto divino… Paro na calçada, indecisa se continuava ou entrava naquela Igreja, que sempre vi de portas fechadas.

O canto me levou para dentro da Igreja e vi que estava acontecendo uma missa. Era tudo tão lindo! Fiquei ali, parada, não sei por quanto tempo, me emocionei em ver os fiéis acompanhando o cântico, pedi pela saúde da minha amiga Ivone, aqueles anjos no alto, iluminados pela luz do sol que entrava pelos vitrais, davam a sensação de paz… Depois, o padre saiu do altar salpicando água benta nos fiéis, aquelas pessoas tão fervorosas na sua fé se sentiam aliviadas. Eu havia comprado uma garrafa de água, pedi que o padre benzesse.

A missa terminou, eu saí daquela igreja com a alma lavada. Fui em direção ao hospital, subi até a UTI e quando minha amiga me viu abriu um sorriso e seus olhos brilharam, beijei sua mão, a mesma mão gordinha que vinha me trazer um pratinho com bolo ou um salgadinho, feito com amor e carinho quando éramos vizinhas em SBC. Ela gostava muito de fazer coisas gostosas… Falei pouco pra não cansá-la, mas nossos olhos falaram muito, em minha cabeça passou toda a nossa vida de amizade, juntas, criando nossos filhos, vizinhas, amigas, confidentes… Olhava para ela, que sorria a cada momento, arregalava aqueles olhos grandes, negros, mostrando muita tranquilidade.

Contei que tinha entrado na Igreja e o padre benzeu a água, ela quis tomar naquele momento… Quando me despedi, disse com dificuldade que eu tinha levado a água benta e que para ela era muito importante. Olhei para aquele rosto que ainda continuava lindo, com a sensação de eterna despedida. Saí dali com paz.

Hoje, 6 de julho de 2012, tomando meu café da manhã, pensei nela e de quanto nossa vida tão parecida foi importante para nós… Lembrei dos nossos aniversários, das crianças, das nossas xícaras de café com leite (amávamos tomar juntas, no café da tarde), na troca de receitas, na ajuda que ela me dava, na companheira que foi não saindo do meu lado no dia em que perdi meu filho…

O telefone toca, interrompendo o meu pensamento, atendo, minha nora me avisa que a Ivone tinha partido… Orei por ela. Só me resta a saudade linda de uma amizade que com certeza: foi presente de Deus. Um dia nos encontraremos.

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