Nasci nessa bela cidade em 1962, ao lado do Museu do Ipiranga. Morei em vários bairros da zona sul e da zona oeste, mas o que mais me marcou e, também o lugar que mais gostei, foi da Vila Mariana, um pouco longe do Metrô Paraíso…
Na época em que lá morei, não existia ainda o Metrô, mas eu andava todos os dias pela Rua Domingos de Morais, onde é hoje o Metrô Vila Mariana, seguindo até a Rua José Antonio Coelho lá para baixo, mas ainda longe da Rua Tutóia. Andava pelo bairro todo com minha mãe, estudava na Rua Eça de Queiroz, pertinho da Rua Cubatão. Joaquim Távora, Rodrigues Alves, Instituto Biológico eram praticamente pontos obrigatórios para passear.
Muitas e muitas vezes íamos aos cinemas da amada Av. Paulista, o cine Astor, e voltávamos à pé curtindo os lindos casarões pelo caminho. Também, íamos bastante ao Parque Ibirapuera e ao Ginásio do Ibirapuera, assistir aos shows anuais do Holiday on Ice e, claro, sempre andávamos à pé por todo o bairro. Eu ia encontrar minha mãe no serviço e pegava o ônibus na Av. 23 de Maio, próximo ao viaduto Tutóia.
Algum tempo depois tínhamos o Metrô, mas andávamos do mesmo jeito porque a estação Paraíso era longe de casa e sempre curtimos passear à pé. Tínhamos uma pessoa amiga que morava na Rua Meruípe, que todo mundo acha que é a Rua Caravelas, mas esta começa um pouco adiante. Essa rua é charmosa, pequena, escondidinha, e, como o bairro todo, tem belas casas antigas, uma diferente da outra e todas muito bonitas, algumas pequenas, mas ajeitadas, outras grandes, para mim são verdadeiras joias de arquitetura.
Hoje, a Vila Mariana é um bairro de elite, na época era bom também, porém mais simples. Outro dia, vasculhando o Google Earth em um surto de saudade vi que o prédio onde eu morei ainda existe e está quase do mesmo jeitinho, quantas ótimas recordações eu tenho de lá! Todo o tempo em que morei em Sampa eu fui muito feliz e foram 35 anos.
Não há nada que se compare à energia visceral da cidade, onde a noite é dia e a vida flui ininterruptamente 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Resolvi escrever aqui em homenagem ao meu sempre querido avô, com quem morei no referido prédio, que era imigrante austríaco, que Deus o tenha. E não existem palavras para agradecer tudo de bom que fez na vida!
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