Como já escrevi outras vezes, meus pais saíram do Jardim Paulista, fui registrada na Rua Pamplona, eu e meu irmão David. Meu pai queria comprar uma chácara, em vez de comprar no Brooklin que ainda era várzea e tinha muito gado no meio do capim colonial, barro preto, resolveu ir para a Zona Leste, imagine devido ao trem.
Tomando o trem com o dinheiro justo de três aluguéis, desceu na estação de Engenheiro Goulart. Na sua frente apenas um senhor de idade. Perguntou a este Sr. se ele sabia onde tinha casa para alugar. Este Sr. riu e
disse:
-“Aqui nós temos a extinta fazenda Santa Albertina, e estou encarregado de vender as casas da colônia, se estiver interessado, me acompanhe”.
Sem perceber que no local não tinha luz nem água encanada, viu a casinha com um quintal enorme e sem consultar minha mãe deu a entrada. No dia da mudança teria que vir pela estrada do Cangahiba onde quando um carro vinha outro tinha que esperar.
Quando minha mãe chegou e olhou a casa quase desmaiou, o chão era de tijolos, não tinha forro, somente um fogão a lenha e tinha uma casinha no meio do quintal (era o banheiro).
O poço totalmente cheio de troncos de bananeiras e teria que comprar lamparinas à base de óleo, (estávamos acostumados com água encanada, luz e conforto de casa forrada).
Como conseguir água? A vizinha emprestou uma carretilha e corda mais uns mourões para colocar em cima e adivinhe! Minha mãe é que teve que limpar o poço enquanto meu pai puxava a carretilha com uma lata de 18 litros, até começar a jorrar água do fundo do poço.
Meu pai contratou um fiscal para ver a qualidade da água sendo que ele disse que era mineral própria para consumo. Bem a história é muito longa, tivemos que estudar no Brás e em São Miguel, antiga Baquirivù.
Hoje meus pais já morreram fiz o inventario, tive que registrar a escritura não sei por que cargas d’água no 17º cartório na Bela vista.
Engenheiro Goulart nunca conseguiu ser distrito, sendo que para todos os efeitos hoje pertence à Cangahiba e anteriormente pertencia a Penha, pois casamos no cartório da Penha.
Pergunto: o que precisa para o Bairro de Engenheiro Goulart ser independente? (hoje não moro mais lá Mas tenho parentes e amigos).
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