Vamos à cidade?

Essa pergunta era como nos convidar para um passeio dentro de um livro de fábulas. Qual criança naquela época não adorava ir para a cidade? A cidade que minha mãe se referia era ali, no coração de São Paulo, hoje conhecido como o Centro Velho.

Aprontávamos o coração para as emoções que, com certeza, viriam pois, quando íamos para lá é porque minha mãe tinha algum dinheiro extra e, portanto, faria todas as nossas vontades.

Na Rua Domingos de Morais, pegávamos o bonde e/ou o ônibus da CMTC, claro que caindo aos pedaços e até agora não houve muita evolução na área de transportes aqui, na maior cidade da América Latina. Descíamos na Praça Clóvis Bevilacqua e então, cruzávamos a Rua Direita, Praça do Patriarca, entrávamos na Igreja de Santo Antônio, rezávamos e, depois, seguíamos para o nosso querido Mappin, símbolo de São Paulo, e que ficava em frente ao Teatro Municipal. Era uma delícia pegar o elevador e visitar os diversos departamentos, com o ascensorista dizendo, com sua voz anasalada:

“1º Andar – Cama, mesa e banho;
2º Andar – Roupas Infantis;
3º Andar – Móveis.”

E, por aí, o elevador nos deixava na lanchonete, onde tomávamos o suco de uva mais amado da terra e o bauru mais fantástico de todos os tempos. Minha irmã e eu segurávamos aquele lanche com todo o cuidado para não derrubar e o suco nos embriagava de tão delicioso que era. Depois, apareceu o hambúrguer e os “sorvetões”: Banana Split, Colegial, Milk Shake e quando minha mãe dizia: “Vamos à cidade”, lá íamos nós nos lambuzar com tantas delícias. Podíamos comer, então, nas Lojas Americanas, Lojas Brasileiras, Mesbla e outras que, infelizmente, sumiram do mapa como por encanto e por péssimas gerências.

É engraçado como todas as coisas ficam gravadas em nossa memória e até dá para sentir o gosto de tudo isso, ainda hoje, passados tantos anos e é uma pena pensar que agora o Centro ficou Velho e abandonado.

Minha amada São Paulo sempre nos brindou com novidades e é por isso que amo essa cidade.

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