Sou paulista de outrora!

Esta cidade é o meu coração, viver nela é só emoção, quando viemos lá do interior ela nos acolheu com muito amor, sou paulista disto não duvidem e este afeto não há quem divida.

Sou paulista, paulista de outrora, peço minha vez para falar agora da minha cidade, do bom, de camarão que era só satisfação, da Rua Da Graça, do lampião que fazia a iluminação.

Sou do tempo que ainda não existia o Brasileirão e que todos os jogos era no Pacaembu, onde a maior violência na assistência era mandar o vizinho tomar angu.

Do bairro da Casa Verde, dos ônibus “fumarentos”, dos bondes barulhentos, das moças de vestidos rodados, onde a ventania fazia estragos, da cidade que era pequena, mas também grande demais, da Vila Mariana, das porteiras do Braz, que eram ruins demais, delas até fizeram marchinha para o carnaval.

Sou paulista das metalúrgicas, das fábricas, onde os jovens tinham sempre emprego, também tinham os italianos, os espanhóis, os japoneses e os libaneses que eram os mascates que vendiam roupas a prestação e marcavam na caderneta a dívida os seus compradores, de um tempo em que se acreditava nas pessoas, que sabiam de suas responsabilidades e tinham honra e credibilidade.

Uma São Paulo diferente desta pobre Paulicéia tão desvairada, descaracterizada e tenho plena certeza muito envergonhada. Sou paulista de quando o rádio era diversão, e nem se falava em televisão, mas era o cinema a nossa ostentação.

Sou paulista do tempo em que se aprendia uma profissão no SENAI, ou nas escolas profissionalizantes, após um dia estafante de trabalho o operário virava estudante e com a certeza que o seu emprego não faltaria, era só se profissionalizar, que já podia casar e casava-se.

Por isto me sinto orgulhoso de dizer, sou paulista e tenho respeito pela cidade que me deu condição de vida, de constituir minha família, embaixo deste céu de anil e estrelado, com o Cruzeiro do Sul nos abençoando, vamos nossa vida levando, pois é nesta cidade que repousa a esperança do Brasil.

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