Tudo por um grande ideal

Já me perguntaram, muitas vezes, porque resolvi aos 12 anos ir para um convento. Lá no arraial onde nossa família morava tinha uma capelinha onde eu reunia meus primos e dava aula de catecismo. A bíblia foi o primeiro livro que li e me encantava com tudo aquilo, com os planos de Deus para a humanidade.<br><br>E, chegando lá, no Madre Cabrini, fui vendo que não ia ser fácil realizar o meu sonho. Mas me dediquei, me esforcei e todos os anos, quando as postulantes eram designadas para ir para o noviciado que ficava em Santo Amaro, eu não era escolhida, porque ainda não estava preparada, eu entrava para o banheiro e chorava escondida. Queria ser esposa de Jesus.<br><br>Mas persegui esse sonho e mesmo quando estava trabalhando no Comind, me perguntava se era isso mesmo que queria: correr atrás das coisas materiais. Mas persistia naquele trabalho, pois era a chance que a vida me oferecia. Trabalho monótono e cansativo.<br><br>Todos sabem que trabalhar em banco e com digitação não é fácil, não podia errar e tinha que digitar rápido, pois o volume de cheques era imenso.<br><br>Compensação<br><br> Mas um dia, passando por um colégio, os maristas, se não me engano, lá no Cambuci, por onde passava todos os dias, estavam recrutando pessoas jovens para irem trabalhar em Rondônia, eu me candidatei, fui aprovada, ia deixar tudo para seguir em busca do meu sonho.<br><br>Estava tudo pronto, iria com o avião da Fab e só voltaria no ano seguinte, minha mãe começou a chorar me dizendo que se eu fosse nunca mais me veria.<br><br>Abdiquei do grande ideal. Continuei trabalhando muito.<br><br>Quando minha filha se casou e foi para os EEUU eu não coloquei empecilhos, pois não queria que um dia me dissesse que deixou de realizar algo por minha causa. Mas como sou teimosa e não desisto nunca, hoje uso a internet e todos os dias, coloco no meu facebook um Salmo. Porque a maior tragédia do ser humano é morrer sem realizar seu grande ideal.<br><br><br>E-mail: [email protected]