Ao Franciscano

Nos idos de 1960 eu trabalhava em uma companhia instalada no recém construído edifício Copam, e ás sextas feiras, após o expediente, juntávamos uma pequena turma e nos dirigíamos ao famoso Isso acontecia invariavelmente das 19h às 23h, tempo de duração de nossas imersões em deliciosos canecos de chopes e tigelas de variados salgadinhos. Tudo isso era regado com um delicioso bate papo, onde se falava sobre tudo, sobretudo em mulheres e nas perspectivas do final de semana, pois não haveria de faltar grandes bailes, ainda que fossem aqueles realizados nas garagens dos fundos de quintais, animados pelos negros “long plays” tocados na vitrola.

A animação dessa particular festa ficava a cargo de um conjunto musical (era assim que chamávamos as atuais bandas) e havia uma crooner excelente. O nome do conjunto era “Tibor e sua orquestra”, com a cantora Marli no restaurante Franciscano. O endereço era Rua da Consolação, ali pertinho de onde era a rádio Panamericana, antes de duplicarem a rua.

O churrasco daquele restaurante era inigualável. Um serviço de mesa esplêndido (naquela época podia fumar, e os cinzeiros eram trocados a todo o momento, e mantidos limpos) O salão era rodeado por baias de madeiras imitando barris, de forma que você ficava com privacidade, principalmente quando ia acompanhado pela namorada.

Tínhamos um desconto especial do restaurante, pois éramos prestadores de serviços para aquela empresa, e isso facilitava a vida, pois o restaurante era bem caro para a época, e o nosso salário era pequeninho.

Pena que acabou no fechou no início dos anos 70. Era uma grande casa que deixou saudades.

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