Dia seis de abril de 1944, quinta feira santa, nesse dia minha querida mãezinha deixou este mundo. Enquanto eu e meu irmão Luiz estávamos na matinê do Cine Paroquial aquí no Ipiranga assistindo ao filme "Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo" minha mãe Dina fazia um bolo para a festa de aniversário do garoto Américo, filho de Dona Rosa, que seria festejado no domingo de Páscoa.
Ela trabalhava na casa dessa senhora na parte da tarde para ajudar nas despezas da casa, por volta das 16h mamãe sofreu um colapso cardíaco fulminante e não houve tempo siquer para um atendimento médico.
Ao sairmos do cinema lá estava na porta nos esperando o Miguel, filho de uma senhora espanhola que morava nos fundos de nossa casa na Rua Agostinho Gomes, número 2197 (a casa ainda está lá), esse rapaz nos conduziu para a casa de minha avó Maria e lá tivemos a dolorosa notícia.
Nesta semana o dia cai na sexta feira por ser ano bissexto. Dina partiu muito cedo, aos 29 anos mas tenho certeza que de lá onde ela estiver estará nos vigiando e apesar do longo tempo decorrido de seu passamento ainda ouço o teu chamado:
– "Nelinho, está na hora da escola"
– "Nelinho, vá se lavar que o papai vai chegar"
– "Nelinho, olha o teu irmão enquanto eu vou a venda".
Que pena mãe! Quando a gente se machucava você assoprava a ferida dizendo palavras de carinho e a dor passava. Seria bom se você estivesse aquí para assoprar as feridas que a vida às vezes nos causa em nossos corações, que Deus a tenha em seu reino pois você bem que merece.
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