O dia que virei pasteleiro

Com meus 72 anos de idade, que completarei esse ano (como a vida passou tão depressa!); outro dia forcei a minha mente para lembrar mais de algo que fiz durante esses anos todos. Vamos ao ano de 1986, vendi uma propriedade rural que tinha no interior e comecei a trabalhar no mercado de ações, naquele tempo a Bolsa de Valores (Bovespa) ficava na Rua Álvares Penteado. Apliquei todo o dinheiro no Mercado Acionário através de uma Corretora que ficava na Praça Princesa Isabel – perto da Praça da Sé.

De um dia para outro fiquei praticamente a zero com a queda das ações na Bolsa – O Plano Cruzado, o que sobrou da derrocada. Eu, juntamente com dois amigos, perdemos praticamente tudo! Um era o filho de um chinês, que teve pastelaria na esquina de acesso à antiga Rodoviária, na Avenida Duque de Caxias, a qual vendia uma quantidade enorme de pastel por dia. Então ele ganhou muito dinheiro e resolveu vendê-la. Não vou falar em números de pastel, mas eram muitos! A pastelaria quase não fechava!

Pela ideia do chinês, resolvemos montar uma fábrica de massas de pastel e pastelaria. Começamos na Rua Barra Funda, nos fundos de um mercado que tinha quase esquina com Rua Albuquerque Lins. O negócio ia tão bem que logo alugamos um salão enorme na Rua Albuquerque Lins, quase esquina da Praça Marechal Deodoro, perto da antiga sede da Rede Globo e Padaria das Palmeiras.

Tudo ia muito bem até que um dia o chinês levou o pai, que chegou de uma viagem da China, para ver o que tinha feito. O pai deu a maior bronca falando em chinês. O filho só ouvia o pai falar (“o yo com a hamchu na xi a ni yu” e gritava mais e mais…). Logo depois o pai foi embora. E foi isso que eu entendi praticamente. A sociedade durou uns seis meses, encerramos a firma que tinha o nome de “Dragão Chinês”. Mais uma queda, se ganha muito dinheiro, mas não e fácil ser pasteleiro!

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