Pompéia

Todas as pessoas no decorrer de suas vidas têm a oportunidade de presenciar modificações que ocorrem em seu entorno. Ficam evidentes as transformações acontecidas em sua cidade e no seu bairro. Moro na Vila Pompéia desde a década de 70, na Rua Guiará e tive a oportunidade de ver significativas transformações.

Morávamos em um bairro um tanto distante da Pompéia e me lembro que quando comentávamos que íamos mudar para lá, as pessoas em geral ficavam surpresas e, creio, com certa inveja, pois na época e possivelmente até hoje, o bairro gozava de prestígio como local desejado como residência.

Tudo começou com o fato de minha mulher ter direito a um empréstimo do IPESP para a compra de imóvel. Depois de muita busca, muita pesquisa, de ver apartamentos e casas sem sucesso, um amigo de meu pai resolveu vender sua casa situada na Pompéia! Quase não acreditamos na ocasião! Na Pompéia? E assim foi.

Pagamos as prestações do empréstimo por alguns anos até que, por felicidade, meu pai teve a chance de nos permitir liquidar a dívida. E fizemos isso, lembro-me bem, na agência do Banespa da Cidade Universitária, local em que eu trabalhava. Tiramos dos ombros o peso das prestações. Ufa!

Na época em que fizemos a mudança, com enorme satisfação, o bairro era bem diferente, com relativamente poucos recursos em geral. Algo que infelizmente desapareceu nas grandes cidades principalmente foi o fato de que de pronto fizemos amizade com os vizinhos a qual durou até o tempo em que mudaram de bairro ou cidade ou se mudaram para sempre para o desconhecido.

A partir do momento em que para cá, nossas filhas passaram a estudar no Colégio do Sagrado Coração, na Rua Caraíbas, chamado carinhosamente pelas alunas (era só pata o sexo feminino) de “Sagradão”. Atualmenete essee colégio ampliou de muito suas dependências e continua com o mesmo alto prestígio.

Passei a me utilizar do barbeiro João, no início com salão na própria Guiará; hoje continuo a me servir dele, mas na Rua Tavares Bastos. Meu mecânico de confiança era o Orlando, hoje falecido, com oficina situada da Ana Tavares Bastos.

Frequentávamos o cinema existente na Rua Cotoxó, que depois foi transformado em um teatro utilizado pelo Silvio Santos. Hoje se transformou em um estacionamento.

Minha mulher (às vezes eu ia junto) fazia feira na Rua Barão do Bananal (ainda existente). O sério problema era na volta, subir a rua até atingir a Guiará (pagava-se os pecados).

Tive a oportunidade de por algumas vezes mandar consertar relógios no simpático e competente senhor Luís, também na Barão do Bananal.

Com o passar dos anos o bairro foi acompanhando o desenvolvimento da cidade, modificando-se, desenvolvendo-se, de modo que quase mais nada tem a ver com os idos de 1970. Muitas pessoas mudaram de alguma maneira, muitas casas foram demolidas para dar lugar a prédios de apartamentos. As ruas tomaram ares de ruas comerciais; principalmente ocorreram mudanças sensíveis na Rua Alfonso Bovero (um ilustre professor de origem italiana da Faculdade de Medicina da USP), com o surgimento de inúmeras agências bancárias e muitas e diversas casas comerciais.
Um amigo meu que morou na Guiará na década de 40 disse-me que da casa dele era possível ver a frente um enorme terreno em que ele e amigos jogavam futebol, onde hoje está situada minha casa e a vila a que ela pertence.

Segundo este mesmo site, no setor bairros, a Vila Pompéia passou a existir em 1910 numa vasta área de propriedade do Comendador Adolpho Miranda e que resolveu dar ao local, quando do loteamento, o nome de sua esposa Aretusa Pompéia.

A rua em que moro ainda é a mesma, há tempos atrás absolutamente tranquila. Hoje tem trânsito intenso, pois se transformou em ligação preferida de parte da Lapa e da Vila Madalena em direção a outros bairros. Ainda bem que inventaram a janela antirruídos.

É interessante lembrar que é tradicional no bairro o aparecimento de conjuntos musicais que se projetaram, além de muitos outros que ainda estão no anonimato.

Obviamente estas são pequenas recordações pessoais. O bairro é muito grande não só quanto suas histórias como também quanto a perspectivas.

De uma coisa tenho certeza: Vim para a Pompéia e daqui não pretendo sair, a não ser para aquela viagem que não tem volta.

E-mail: [email protected]