Maioridade festiva

Fiz 18 anos no dia 21 de janeiro de 1954 e tenho viva na memória a alegria e o orgulho que nos paulistanos sentíamos coletivamente naquele longínquo janeiro. Afinal São Paulo completava 450 anos com muita festa e orgulho de sua grandeza.

Os bondes da CMTC ostentavam o slogan da cidade “São Paulo, a cidade que mais cresce no mundo”. Uma grande exposição internacional realizou-se durante o ano todo no Parque do Ibirapuera, especialmente urbanizado e construído para receber os festejos. O projeto de Oscar Niemayer era absolutamente moderno e muito arrojado. Na enorme área foram levantados cinco imponentes edifícios, interligados pela curvilínea passarela coberta. Este conjunto era o núcleo do evento, ao seu redor varias empresas e países montaram pavilhões próprios.

Lembro-me do encanto que me causou o Pavilhão Japonês, imponente marcou a presença da colônia japonesa e sua cultura, durante os festejos, seu jardim interno habitado por mansas, enormes e lindas carpas e seus jardins internos a todos surpreendiam e encantava. A Ford instalou seu majestoso edifício ao lado do prédio que hoje abriga a Bienal de São Paulo.

No dia 25 de Janeiro grande parada cívico militar aconteceu pela manhã, fluindo dos Jardins para o centro em direção ao Vale do Anhangabaú. Por volta das 10h, no ápice da marcha festiva, alguns aviões DC-3 da VASP derramaram sobre a multidão triângulos de papel dourado e prateado, nos quais estavam impressos o logotipo de Pratas Wolf, do industrial playboy Babi Pignatari, de um lado e no verso o logotipo do centenário.

O ruído dos motores, somados ao som das bandas marciais, enchiam nossos ouvidos e estufavam nossos peitos pelo orgulho de ser paulistanos. Como foi bom viver o aniversario do Quarto Centenário de nosso São Paulo.

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