Velho Pronto Socorro Municipal de Santo Amaro

Hoje vou falar um pouco do Pronto Socorro Municipal de Santo Amaro, inaugurado no início da década de sessenta. Uma construção moderna em concreto, bem dividida em recepção, sala de primeiros socorros, salas de suturas, ortopédica e de reabilitação. <br><br>Na época foram contratados bons médicos e enfermeiros, que se revezava em plantões. Eram atendidos, todos os casos de urgência, ocorridos no bairro; os pacientes eram sempre levados por ambulâncias e viaturas de policia.<br><br>Na parte externa, que dava para Av. Adolfo Pinheiro, existiam umas floreiras, que nós utilizávamos como bancos e ali passávamos horas jogando conversa fora e vendo o movimento da avenida, sempre no aguardo da chegada de alguma ambulância que nos traria novidades (curiosidade de criança).<br><br>Coube eu ser atendido em um dos primeiros casos do nosso querido P.S Municipal, e possuidor ao longo do tempo por uma vasta ficha de primeiros socorros. Apesar de não ter sido um garoto muito traquina, sempre fui agraciado por pequenos acidentes, que levavam meus amiguinhos a me encaminharem para lá. Rotineiramente eu era atendido por um enfermeiro alto e super simpático de nome Avelino, que ao me ver já indagava:<br>- “Você outra vez?”.<br><br>Até hoje carrego em vários pontos de minha cabeça e de meu corpo as marcas das costuras daquele senhor, que depois ia me visitar em casa, pois minha residência ficava próximo dali, e era passagem em seu percurso.<br>- “E aí Dona Rosa o moleque tá pronto pra outra?”, perguntava ele á minha mãe. Então ela respondia:<br>- “Deus nos livre seu Avelino, mais um susto!”.<br><br>E Isso aconteceu várias vezes, pois entre o PS e o Teatro Paulo Eiró, existia um enorme gramado, onde passávamos o dia fazendo travessuras e jogando futebol. Pela nossa energia retida tinha como resultado aqueles pequenos acidentes.<br><br>Lembro que um dos melhores médicos tradicionais de Santo Amaro, Dr. Valdemar Teixeira Pinto, que também chegou ser subprefeito de nosso bairro, muito se empenhou para a inauguração deste posto de atendimento médico. Sempre que o avistávamos tínhamos a maior curiosidade e respeito.<br><br>No Pronto Socorro existia uma pequena casa, onde morava o Zelador Sr.Rubens, conhecido como Rubão, que junto de sua esposa, dona Babá, formavam uma dupla incrível de mestre sala e porta bandeira, que abrilhantavam os carnavais nas ruas de Santo Amaro.<br><br>Sr. Rubens tinha dois filhos que, apesar de mais velhos, eram nossos amigos. Então passávamos algumas horas em sua casa para bisbilhotarmos os acidentes ocorridos no bairro. E presenciamos cada um de cair o queixo de tão graves. Foi ai que aprendemos a conhecer a profissão de médico, que com calma e maestria, faz de tudo para recuperar ou preservar vidas.<br><br>Não sei se ainda hoje é obrigatório, mas naquela época, sempre possuía dentro de hospitais e pronto socorros um investigador de policia, para identificar e fazer registros de ocorrências e acidentes. Lá sempre estava de plantão um profissional de nome Mauro, que de tanto nós enchermos sua paciência, com perguntas e observações, acabou fazendo uma amizade grande conosco, e nos contava histórias policiais que nos prendia atenção por horas. <br><br>Por várias vezes, alguns acidentados, devido a gravidade, entravam em óbito, então eram levados para uma salinha atrás do PS. Ali entravamos sem ser notados movidos por uma curiosidade que não chegava ser mórbida.<br><br>Apesar desta abelhudice, aprendemos muito, deixamos de ter medo, e encarar outras coisas não peculiares a nossa infância. <br><br>Do lado de lá da avenida, existia uma borracharia, que vira e mexe estávamos ali fazendo bagunça, deixando o Tilico seu proprietário fulo de raiva, louco para tirar-nos dali.<br><br>Ao lado da borracharia, foi inaugurada uma lanchonete, que a noite funcionava como choperia, em frente a mesma sempre ficávamos. Tinha um garçom bem parecido com "Amigo da Onça", ele passava uma pasta em seus cabelos duros e negros alisando-os. Era uma figura, e tomava conta da gente.<br><br>- “Vocês podem entrar, comam um sanduíche bebam uma soda, e fiquem protegidos”. Até hoje, quando encontro os amigos daquele tempo, lembramos-nos deste chavão, que era uma forma dele vender e faturar em cima da nossa turma, só que a estratégia não funcionava nunca, pois além de garotos éramos duros.<br><br>Tudo acontecia de uma forma simples e pura, o que nos levava a maturidade, aprendendo e nos dando experiência mesmo que na escola das ruas e locais que frequentávamos, pois convivíamos com coisas do cotidiano e gente de todas as classes sociais.<br><br>E sobrevivemos para nos reunir algumas vezes e relembrar dando boas risadas.<br><br><br>E-mail: [email protected]