O lixão do Jardim São Luiz

Há bairros e mesmo ruas que possui uma sina de abandono, desprezo e dá a impressão que tem um destino para viver abandonado, desde que me conheço por gente, e até hoje depois de mais meio século ainda vejo os mesmos lugares que conheci na infância totalmente abandonados pelos poderes públicos, e estes locais atraem pessoas que parecem merecerem tal situação.

No meu bairro Jardim São Luiz acontece isso, aqui existe uma rua que é praticamente uma avenida, apesar de estreita. Chama-se Avenida Fim de Semana, quem não conhece tem a impressão de um local aprazível, mas contrariamente esse local deixa muito a desejar em termos gerais de conforto, higiene e limpeza pública.

Até os anos 60, por aqui as ruas eram de terra batida, muita mata com poucas casas e falta de lazer como ainda acontece hoje em dia, apesar de melhorias, mas não acompanhando o ritmo de crescimento de nossa região.

Essa avenida com o nome sugestivo, inicia no cemitério São Luiz e vai até perto do hospital Campo Limpo, na Vila Prel e Vila das Belezas.

Essa rua e o bairro receberam esse nome devido a sua localização, essa rua fica em uma das partes altas de nossa região. Ali antigamente existiam grandes árvores e um belo gramado onde o povo da região ia passar os fins de semana, fazer piquenique e apreciar a visão da cidade era nosso Ibirapuera sem lago.

Porém, como nem tudo são flores, ali naquele lugar nessa época longínqua, começou a ser depósito de lixo de um de seus lados, lado direito sentido cemitério a Vila Prel, onde é o bairro de Jardim Brasília, pois era uma descida, com mata rasteira sem moradia, própria para esse malefício, os caminhões chegavam e o lixo era despejado no declive do bairro, lixo de todos os
tipos.

Lembro mais nitidamente do Frigorífico Eder de Santo Amaro, eles jogavam semanalmente restos de alimentos como salsicha, linguiça, mortadela e outros embutidos, onde a população mais pobre misturada aos urubus avançava nesses produtos deteriorados e enchia as sacolas, provando que a miséria sempre existiu. Sempre me lembro desse fato, quando assisto aos jornais televisivos, pessoas ainda hoje recolhendo lixo nos aterros sanitários das cidades vizinhas à Capital, o alvoroço era geral no local quando esses caminhões chegavam e os moradores sabiam até o dia e horário que eles vinham para jogar o lixo.

Por volta dos 1980, nesse local em declive foi construído um conjunto popular, chamado Pró Morar, um projeto do governo federal e assim acabando com o lixão e depois cercado com alambrados de perfis de ferro.

Com o passar dos anos, as ruas foram asfaltadas, e no local construiu-se uma escola estadual e em uma parte da rua surgiu um bairro bom e outro setor com pequenas indústrias e na outra extremidade próxima ao cemitério surgiu uma grande favela, e em 2011 foi construído um lindo prédio para atividades culturais chamado de Fábrica de Artes.

Com essas melhorias na região dava-se a impressão de que a sujeira que dominava a área iria acabar, mas a realidade foi outra, as coisas pioraram ao invés de caminhões de empresas jogarem lixo, agora são alguns moradores que infestam de lixo e entulho toda a calçada da rua, inclusive os paredões do cemitério São Luiz, na Avenida Antonio Ramos Rosa, viraram lixeira e depósito de carcaça de carros, estacionamento irregular e comércio de alvenaria na calçada, uma verdadeira desordem, uma confusão a olhos vistos.

Em alguns momentos se torna impossível o trânsito no local, é uma disputa entre pessoas, lixo e carros e o comércio em cima da calçada. Nos fins de semana acontece o já programado "pancadão", onde milhares de pessoas se reúnem para beber e ouvir músicas a 1000 decibéis que não deixam ninguém dormir, que varam a madrugada, festa de fazer "inveja", aos realizados na Avenida Paulista, e parece que virou moda na cidade toda, sob os olhares complacentes das autoridades.

Nos dias de calor o cheiro é insuportável e insetos a escolher, nos dias de chuva é enchente e lençol d'água por todo lado, sem contar com a bandidagem.

Não há quem resolva esse problema, também pudera, o subprefeito é trocado a cada ano, o mesmo ocorre com delegado e o investigador de policia, isso agrava o problema, pois quando essas autoridades começam a tomar conhecimento do bairro, são demitidos ou transferidos.

E assim caminha nossa cidade, semelhante ao centro sujo da cidade. Dizem que Deus quer assim ou o sistema, outros dizem que é característica do povo, pois mudam os governos e os problemas continuam.

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