A cidade que fascina e assombra

O orgulho em ser paulistano é arrebatador, não apenas por me reconhecer pertencente àquela que é a maior cidade deste país, mas sim por me perceber brasileiro em sua totalidade, universalmente brasileiro.

Resido atualmente em Hortolândia, interior de São Paulo, e é curioso como só pude ter noção da minha “paulistaniedade” estando virtualmente afastado de minha cidade há mais de 8 anos.

Recordo-me vivamente de quando, em 1999, eu, meu pai, minha mãe e meu irmão fomos retirar alguns documentos no Centro de São Paulo. Saímos muito cedo de nossa casa em Pirituba e pegamos uma lotação até a Barra Funda. A impressão de ver a cidade a mil às 5h da manhã, o povo inquieto, o agito, os cheiros, perfumes, correria, ficaria para sempre marcada em minha lembrança.

Chegando à Estação da Luz a sensação de universalismo aumentou vertiginosamente. Pude ver uma dura realidade: pedintes, crianças tão ou mais novas que eu inexplicavelmente desamparadas, enfim, as mazelas que assombram as grandes metrópoles.

Também fiquei impressionando com os vendedores ambulantes, sua agilidade, precisão no discurso, bom humor e seu poder de persuasão. Um novo universo foi se descortinando ao chegar ao Centro, no âmago do movimento. O antigo se misturando com o moderno, numa simbiose muito improvável, mas que parecia funcionar. Lembro-me dos postes de iluminação já inutilizados, em ferrugem, denunciando um passado bucólico em contraste com a agitação da cidade. As ruas pareciam crescer, e foi daí que me veio o sentimento de assombro, fascínio, redenção pela cidade.

São Paulo me fascina desde então, e tal sentimento se repetirá cada vez que eu for redescobrir a cidade, sua imensidão, suas inúmeras faces, de risos e dores, amores e desamores. É o tal do "avesso, do avesso, do avesso, do avesso" que o mestre tanto falou. Sejamos então desbravadores.

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