Houve um tempo que subir e descer a Augusta fazia parte da minha rotina diária. Em 1971, matriculado no Cursinho MED, saia do Banco Real na 24 de Maio, onde trabalhava, e subia a Augusta em direção a Lanchonete “Crazy Cat” ao encontro de uma turma que parecia morar ali.
Nessa lanchonete (“Crazy Cat”) formávamos uma turminha de futuros e pretensioso compositores: com o Paulo Roberto Santiago (Sants), o Beto, Trans, a Rose, o Robson e eu.
Ao invés de frequentar as aulas no cursinho MED, agente se mandava para lá na tentativa de se aplicar cada vez mais na arte de beber, cantar e compor. Músicas, letras e jingles saiam a todo instante. Todo dia tinha cantoria.
Para variar, de vez em quando saíamos em busca de novos bares e botecos, festas ou qualquer tipo de despedidas. A animação, às vezes, acabava rendendo além dos aplausos, uma passada de chapéu para recolher grana para a cerveja. Todo mundo fazia parte da turma.
Esmê (Esmeralda de Souza): Quando a conheci, era a garçonete mais bonita do “Crazy Cat”. Morena jambo, de olhar meigo que chamava a atenção de todos pelo conjunto da obra. Esmê, era natural do Rio Grande do Norte, tinha como sonho de ser artista… No dia de seu aniversário, fizeram uma festa surpresa para ela. E também para mim, pois "o presente dela" acabei sendo eu.
Acabei então me tornando o namorado da Esmeralda.
Por seu uma pessoa muito simpática e alegre com as pessoas, jamais desconfiei do seu interesse. Entendia tudo como uma bela amizade. Mas ela não… Nossos amigos comuns tramaram a favor dela, sem que eu nada soubesse… Ela era mais vivida que eu, tinha 28 anos e eu apenas 22.
Ali aprendi a fazer música (letras), aprendi a amar e a conhecer o lado “out” da cidade. Praticamente "dado como presente" de aniversário fiz a minha estréia no mundo dos adultos. Ficamos juntos por quatro meses.
Fuçando aqui e ali, ela acabou cavando um teste para fazer parte do elenco da peça “Hair”. Na surdina, foi aprovada para fazer parte do elenco da segunda montagem de ““Hair”” 1971/1972. Mais adiante fez parte do elenco teatral do Tem Banana na Banda contracenando com Zezé Mota e nunca mais parou.
Estávamos juntos, quando ela me convidou para assistir a peça “Hair” que eu não havia assistido. Não tinha a menor idéia do seu papel e qual seria sua atuação.
“Hair” sempre foi um sucesso em todos os países onde foi montada. A peça entusiasmava o público que era levado a se manifestar.Num determinado momento da peça, o público era surpreendido quando atores e atrizes tiravam suas roupas e ficavam nus em pleno no palco… Apenas com a luz negra.
Quase cai pra traz ao ver a minha namorada nua no palco com um bando de gente. Em 1971 Estreava em São Paulo a 2ª montagem brasileira do musical “Hair”, no palco do Teatro Aquarius, mais tarde Teatro Zaccaro, no bairro do Bixiga
Tempos depois ela foi para o Rio convidada a participar de outras peças teatrais. Depois de inúmeras batalhas ela chegou onde queria, a vida de artista. Pesquisei na net, sobre suas andanças, mas não tive mais resultados.
Acabei perdendo o contato com ela, mas rendo aqui a minha sincera homenagem para a Esmê.
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