Magaiver em São João Clímaco

Para tudo naquela pequena empresa, a frase que mais se ouvia era "Chama o MacGyver!".
Deu pau no micro: -"chama o MacGyver!";
A bomba não entra – "MacGyver!";
O treco não funciona – "MacGyver!";
Precisa rearmar a ‘Sub’ – "Chama o MacGyver!”;
Eele não é eletricista, mas ele é tudo, é como se fosse… –“Chama o Homem!”; Era sempre assim, sempre fora assim.

O nome MacGyver, todos achavam, era um apelido oriundo da série "Profissão Perigo" e a ninguém preocupava muito isso não. Nomes não importam para esses "faz tudo" desde que façam direito; desde que tudo funcione a contento.

No bar, na padaria da esquina, como uma extensão do seu trabalho, MacGyver resolvia do forno à chapa; dos sanitários à iluminação. Tudo era com ele!

Não se sabe muito de sua vida não. Andava por ali, só. Sempre acompanhado, sempre nas rodas de papo furado, mas falava pouco de si. Se casado ou não, se tinha filhos ou não, ninguém sabia ao certo. Soube-se por cima de uma ligação com Dona Fulaninha, casada, que o chamava constantemente para verificar o chuveiro, mas nada mais que isso. Sem detalhes, que ele não os fornecia!

Um dia, no trabalho, foi convocado a trocar uma lâmpada. Sem cuidado nenhum, como era costume, subiu no mais alto da escada e lá se foi. Era uma vez um prestimoso faz tudo. No solo jaz!
No cemitério da Quarta Parada, no bar em frente, alguém chegou com a notícia:
– "Não é que o nome do cara era Magaiver mesmo! Vi no livro de visitantes, tava lá, Magaiver da Silva. Vai entender!"

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