Quando tinha 17 anos eu fui com minha amiga Ana para São Paulo para conhecer a Fafá de Belém (cantora muito amada).
Dias antes de viajar, nós duas já havíamos planejado tudo. Mas ao embarcar, tudo o que havia sido planejado – hotel, transporte, passeios, etc. – tinha ido por água abaixo, por causa de uma pessoa que tinha prometido nos ajudar, porque até então, não conhecíamos nada e ninguém em São Paulo.
Chegamos à capital às 7h15min, da manhã, e sem saber para onde ir e a quem recorrer. A Ana lembrou-se de uma colega de internet que era lá e mesmo sem conhecê-la pessoalmente ligou para ela. Ela disse que nos ajudaria a procurar um hotel, isso já eram quase 8h da manhã, só que ela apareceu lá na estação São Pedro – onde estávamos – ás 14h. Nisso a fome já era maior do que eu, que não havia tomado café da manhã e muito menos almoçado. Ela nos buscou e nos levou para casa dela em Itapecerica da Serra (“oi?”).
Só sei que demorou horas para chegarmos na casa dela, que para chegar lá atravessamos uma favela. Eu ficava me fazendo a seguinte pergunta: “Por que cargas d'água eu não ouvi minha mãe? Por quê?”. Ela dizia para eu não ir… Mãe sempre sabe das coisas!
Já estava desesperada, pois já era mais de 15h e não tínhamos achado um hotel e nem comprado meu ingresso para o show da Fafá, que seria ás 22h no Tom Jazz. Almoçamos e saímos em busca de um hotel.
Sem a menor idéia de que deveríamos ficar em um hotel que fosse perto do Tom Jazz (perto da Consolação que fica na região central), nós ficamos em uma pousada no Brooklin (Zona Sul de São Paulo) que até então não era um problema, porque não havíamos pensado em como eu chegaria e voltaria do show, já que o metrô fecha à 00h20min e o show provavelmente acabaria às 1h da manhã.
Liguei pro táxi e quase tive um treco quando me falou que ficaria R$ 150,00 a corrida! Eu e a Ana, já estávamos pagando R$ 160 pela diária do hotel, mais o ingresso… Já comecei a me imaginar passando fome em São Paulo (risos). Eu não poderia ligar para minha mãe ou ela ia ter um colapso nervoso e me matar pelo telefone mesmo.
Sem ter o que fazer, paguei o táxi e fui na pressa de sair logo – já estava atrasada. Mas acabei me esquecendo do celular e dos encartes dos CDs para serem autografados! Quando estava quase chegando eu me dei conta disso, e involuntariamente as lágrimas começaram a cair e quase que o soluço veio junto.
Cheguei lá no TJ, e fiquei quietinha esperando a Fafá entrar no palco, para começar com o soluço – que economizei dentro do táxi – e as lágrimas involuntárias, da emoção. Mas antes que tudo isso acontecesse, sentou do meu lado da mesa um Sr. muito do imbecil, falando que Fafá era ignorante
e que não me atenderia.
Eu toda “bocuda” já fui logo perguntando o que ele fazia ali e ele me respondeu que estava sozinho em casa, e foi para lá (de certo para arrumar alguma companhia). Logo depois, Mariana (filha da Fafá) saiu do camarim, e eu não me contive (é óbvio!) e fui falar com ela, que me tratou com todo amor e carinho do mundo (Amo pouco, sabe?) dizendo que depois do show, me levaria ao camarim.
Assisti ao show, chorando, rindo, soluçando, sendo beliscada por um colega fã para ver que tudo aquilo (que desde então era tudo o que eu queria) era bem real.
Acabou o show e fiquei toda gelada e trêmula porque já estava na hora de descer no camarim. Entrei e Fafá estava com uns amigos e de tanta vergonha, fiquei atrás de uma porta que tinha no corredor, e só ouvia Fafá dizendo assim:
– “Mariana, cadê a ‘Tcheris’? Cadê ela?”
Aí toda vermelha, eu fui olhar e ela me viu, e falou:
– “Vem aqui menina!”
Quase morrendo eu fui até ela e ela gargalhando, me abraçou e já falou:
– "Nossa, você ainda é uma menina! Pelas coisas que escreve (no livro de visitas do antigo site), eu te imaginei adulta. Como é lindo seus textos e mensagens diárias."
Ela relembrou e contou aos amigos, toda orgulhosa, um episódio que um retardado, havia postado no site mensagens horrorosas e ofensivas, e eu a defendi até o último minuto (sou dessas, risos). Depois de muita conversa, contei para ela como tinha sido o desastre do meu dia e de como eu havia sido recompensada nesse show… Ela ficou doida quando eu disse que tinha 17 anos e que estava sem meus pais nessa viagem.
Na hora da foto, a câmera não queria ligar porque me empolguei na hora de tirar fotos do show e não sobrou pilha para o camarim. Mariana, todo atenciosa, saiu procurando pilha (risos), mas não achou. Ai ela disse que iria tentar ligar a câmera e conseguiu, só que saiu só uma foto com Fafá e eu com cara de felicidade que nem o olho eu abri , mas a foto com Mariana não dava para tirar, a pilha tinha morrido já, aí ela mais uma vez toda atenciosa e linda, tirou uma foto nossa com o celular dela e me enviou por e-mail (Não preciso nem dizer o quanto eu fiquei feliz, né?).
Fafá que depois de uma meia hora ali conversando e rindo com todos, já estava indo embora e já foi afirmando que eu veria ela no outro dia (que também teria show), ai eu disse que não, mas ela disse:
– "Amanhã, te quero aqui, você é minha convidada e não venha sozinha".
Só isso que ela me falou, já me bastou. E no outro dia à noite, eu estava lá, cantando e rindo sozinha no show da Fafá, que me recebeu novamente e com toda alegria. Voltei para casa, trazendo na mala, duas das melhores noites da minha vida, e uma outra mala, cheia de experiências, aventuras, muitas risadas, trapalhadas e a saudade de um dia feliz e de uma cidade que eu tanto amo!
No final de tudo, tudo valeu a pena, pois eu estava em Sampa ( a terceira maior cidade do mundo) vivendo uma aventura e um sonho que jamais poderei esquecer.
P.S: Apaixonei-me tanto pela cidade que um ano mais tarde voltei para morar!
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