Sampa, um retrato fiel de Caetano

Estive pensando na genialidade de Caetano Veloso ao definir tão fielmente São Paulo em sua música Sampa, o retrato da cidade. Em qualquer lugar, a qualquer hora, através dos acordes desta bela, verdadeira e emocionante canção ficamos diante "da Ipiranga ou da Avenida São João".

E só quem consegue sentir e observar Sampa com um olhar curioso e penetrante é capaz de entender,depois de algum tempo: "A dura poesia concreta das suas esquinas e a deselegância elegante das suas meninas”. E também,algumas vezes passa a entender e a gostar de Rita Lee, de suas filosóficas composições e de sua maneira especial de ver e sentir as coisas da vida.

E passa a entender o "sonho feliz e decantado de tantos migrantes e imigrantes" "E o avesso do avesso". O aspecto cinzento, as enchentes e a ganância e ambição que "destrói coisas belas". E consegue visualizar perfeitamente"o povo oprimido nas filas, nas vilas e favelas". O poeta Caetano faz surgir dos campos, trovadores ocultos, oficinas de florestas e deuses da chuva.Nos conduz a Pan-Américas de Áfricas utópicas…Nos leva a passear com os novos baianos na fina garoa de São Paulo na década de sessenta e hoje.

Não sei se consegui traduzir todo o sentimento imprimido por ele numa de suas mais expressivas, criativas e biográficas composições. No final do ano de 1992, pude pela primeira e única vez apreciá-lo em um show no Palace, a convite de uma prima e fiquei impressionada com sua musicalidade, simpatia, gentileza e comunicação com o público, além de sentir também como valoriza cada músico que integra sua banda.

Espero que tenha conseguido registrar minha homenagem a Caetano por Sampa por fazer, acho que a todos, e, especialmente aos Paulistas e Paulistanos, sentirem: "alguma coisa tão sublime, diferente, inexplicável e única em nossos corações." Muito grata!

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