Vila Carioca – lembranças

A Vila Carioca foi parte da minha história de vida. Passei toda a minha infância e juventude lá. Morava em uma casa simples, mas aconchegante, na esquina da Rua Vemag com a Rua Antonio Frederico, ao lado da fundição CBA, que fazia um barulho infernal, dia e noite.

De manhã ia para a escola, no Grupo Escolar Visconde de Itauna, que ficava na Rua Silva Bueno. Quando chovia, a Rua Juntas Provisórias enchia e muitas vezes ficávamos ilhados, dependendo de algum caminhoneiro bondoso para nos dar carona de volta para casa.

O futebol nos campinhos improvisados e as brincadeiras de rua eram as atividades no período da tarde. Até que a prefeitura inaugurou um "parquinho" na esquina da Rua Antonio Frederico e a Rua Amadis, na qual tinha campo de futebol, quadra poliesportiva e até uma piscina. Foi inaugurada pelo prefeito, Ademar de Barros, e foi uma festa.

O ginásio foi feito no "Gualter da Silva" no Moinho Velho, no início da Via Anchieta. A época do Natal era muito especial, pois o Sacomã ficava todo enfeitado e iluminado.

Em minha adolescência, o encontro da turma acontecia nos "bailes" feitos na casa de alguém, com músicas tocadas nos toca-discos. Lembro da casa do "Seu Andre", na Rua Antonio Frederico, que frequentemente patrocinava os encontros.

E lógico que existiam duas turmas: a da Rua Vemag e a da Rua Auri Verde, que estavam sempre em "pé de guerra" pelas garotas. Vez ou outra, saia alguma escaramuça, mas nada alem de um ou outro olho roxo.

Nessa época fiz grandes amigos que hoje não sei nem se estão vivos: Marcos, o irmão que não tive; o Dema, que era mecânico e o único que tinha carro na época; Alcir, que morreu ainda jovem; Victor, que foi meu sócio; e a primeira namorada, Clarice…

Vila Carioca, um lugar pobre, com muitos problemas, sem esgoto, sem iluminação, mas inesquecível… Quem dera pudesse voltar naquele tempo.

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