Outro dia uma querida amiga veio me visitar. Conversa vai conversa vem e começamos a relembrar nossa adolescência. Puxamos do baú de nossas memórias fatos, locais e pessoas que por alguma razão fizeram e tiveram importância em nossas vidas.
Dos fatos correram acontecimentos tristes, alegres e até delicados, da época, em relação ao que ficou entendido. Dos locais, muitos já totalmente transformados ou simplesmente não existindo mais.
Agora das pessoas!… Esse tema teve mais tempo de recordações, principalmente pelo fato de que alguns entre eles deixaram interessantes historias. Lembramos de uma domingueira no Clube Banespa onde as turmas diversas dos bairros do Brooklin, Alto da Boa Vista e Chácara Santo Antonio costumavam se reunir para uma "balada" gostosa ao som de Johnny Rivers, Beatles, Rolling Stones e tantos outros que agitaram nossas domingueiras no salão pequeno, próximo ao hoje parquinho da criançada.
Quase sempre havia briga entre os grupos de garotos, afinal em fase de crescimento, necessitavam de expor suas qualidades reforçadas pela substância androgênica ativa, a testosterona. Não que nós meninas já exibindo trejeitos, caras e bocas também não nos sentíamos especiais caso fossemos o centro da disputa. Com relação a tal domingueira o fato que o local presenciou foi a troca dos nossos "primeiros beijos".
Riamos ao descrever cada uma a sua experiência, que hoje seria qualificada de "selinho". Para surpresa nossa (jovens senhoras de hoje), o tal garoto do bailinho com luz negra, e um grande globo espelhado no centro do pequeno salão era o mesmo, ou será que eles eram gêmeos?
Minha amiga não se conformou com tal engano e tempos depois me liga aflita para contar que, ao sair de minha casa e inconformada com a "enganação" que acreditava ter sofrido, foi em busca de mais fatos que a ajuda-se a esclarecer o que para ela havia sido ato grave. Liga pra um escreve para outro até que de posse de algumas revelações, quis dividir comigo o mistério. Confesso que pouco me importava, pois nem bem conseguia lembrar-me das feições do tal mancebo, mas diante da expectativa de minha amiga me pus a ouvi-la.
Lá fora prenunciava uma grande tempestade e de repente "puf" acabou a luz, com o telefone sem fio a assinalar falta de energia elétrica e minha cachorrinha a latir sem parar esqueci-me da minha amiga e creio que ela também, afinal que importância teria hoje tal revelação, foi apenas um… "Selinho".
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