Vila Brasilina – Parte III

Quinquagésimo Aniversário da Vila 20/06/1970: culminaram as festividades com um grande desfile de fanfarras, colégios e clubes, dentre os quais destacamos o Externato Menino Jesus e a fanfarra da Guarda Mirim de Santo Afonso, situada no bairro da Água Funda, que tiveram importantíssima atuação em todos os acontecimentos festivos.

As festividades que marcaram o 50º aniversário do bairro foram prestigiadas pela população em massa. Para o levantamento histórico foram feitas várias consultas em inúmeras fontes de informações fidedignas e alguns fatos vão aqui registrados:

Foi fundada em 20 de junho de 1920, por Cezar Corain, tendo sido loteada em 1917, recebeu esse nome em homenagem a uma senhora que residia na ocasião à margem da atual Avenida Água Funda. Tinha o bairro à área de 11 alqueires paulistas, ou seja, 266 x 200m², e um dos primeiros morador atualmente residente em Vila Moraes, foi o senhor Bernardo Marques de Abreu. Constou no programa das festividades uma missa campal presidida pelo representante do Cardeal Dom Agnelo Rossi, Dom Ernesto de Paula, uma solenidade que contou com a honrosa presença do senhor Guilherme Theodoro Mendes, representando o senhor Laudo Natel, futuro governador do Estado de São Paulo, representantes de várias entidades, clubes e também do Doutor Reinaldo Canto Pereira. – Administrador Regional do Ipiranga.

Corrida de Pedestres Bandeirantes 23/01/1971: em comemoração a fundação de São Paulo, constando a Corrida o percurso de oito mil metros com a participação de atletas de vários clubes.

Homenagem ao dia das mães 9/5/1971: com programação variada, como atos religiosos, solenidades, escolha de representantes das mães, exibições artísticas e esportivas inclusive a tradicional Corrida de Pedestres com a Tocha Olímpica e etc.

Aniversário da fundação da Vila 20/6/1971: nessa data após cuidadoso levantamento histórico do bairro, pela segunda vez comemorou-se o aniversário de sua fundação após 51 anos de existência. Constou na programação do 51º aniversário, dentre os vários itens, a alvorada às 6h, desfiles de colegiais, fanfarras, clubes e etc. houve a eleição e coroação da Rainha do Bairro, com 16 candidatas tendo sido escolhida a senhorita Osvani Helena Silva, contando com júri apropriado.

Na véspera da coroação as candidatas foram apresentadas a imprensa falada, televisionada e escrita. Houve também um churrasco de confraternização para 600 pessoas.

Aniversário da entidade 22/7/1971: Transcurso do CONDE – Conselho de Desenvolvimento de Vila Brasilina, habitualmente assinalado por comemoração festiva, participando os integrantes dos vários órgãos e de associados, quando foi oferecido aos presentes, após as solenidades, um coquetel de congratulação.

Semana da Pátria (sete de setembro): é assinalada a Semana da Pátria com o hasteamento da bandeira, desfiles cívicos dos escolares pelas principais vias do bairro, tendo à frente porta-bandeiras e fanfarras que fornecem o ritmo. E assim, transcorreram normalmente as festividades da Semana da Pátria com a participação habitual da Vila Brasilina.

Natal das crianças 23/12/1971: o CONDE da Vila Brasilina, promoveu o natal das crianças do bairro distribuindo mais de 1.200 brinquedos, bem com dois mil saquinhos de pipoca doce, contando para isso, além dos meios próprios, com a abnegação da Primeira Dama Paulista, a senhora Maria Gambá Natel e da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social.

Entrosamentos: mantidos com todos os setores e núcleos de atividades sociais, educacionais, recreativas, religiosas e da imprensa fala, escrita e televisionada, informando através do Jornal São Paulo, Zona Sul, semanalmente, as noticias do bairro.

Entidades representativas

Primeira: a primeira entidade representativa da Vila Brasilina foi fundada em 1955 e recebeu o nome de Sociedade Recreativa e Beneficente da Vila Brasilina, tendo por fundadores os senhores Aurélio Alves, Nenê, Augusto Ribeiro dos Santos e outros.

Segunda: foi a Sociedade Amigos de Vila Brasilina, fundada em 6/6/1956, a segunda entidade, tendo por fundadores os senhores Oswaldo Del Rey, Orlando Oliveira Mello, José da Silva Moraes, Jose Fonseca, José Marciano, Salvador Antonio França, que compunham a diretoria e os senhores Gerson Deoclécio, Alberto Carvalho, Matias Montanheiro, Jose Firmino da Silva, Nelson Del Rey e Jose Batista que compunham o Conselho Deliberativo.

Muitas outras como: Clube de Caça e Pesca, Clube de Malhas, Extra-Brasil Futebol Clube, Cometa, etc., sendo o Conselho de Desenvolvimento de Vila Brasilina a mais nova entidade representativa do bairro, fundada em 22/07/1969 e de forma atuante, se propõe a providenciar o encaminhamento de todas as benfeitorias e melhoramentos necessários ao desenvolvimento geral da Vila, dada a longa estagnação da Sociedade Amigos de Vila Brasilina. O CONDE de Vila Brasilina tem a sua diretoria constituída pelos seguintes membros: Jorge Ricardo Ponciano (Presidente), Aurélio Alves (Vice-Presidente), Jose da Silva Moraes (Secretário-Geral), Gustavo Heer (1.º Secretário), nos cargos eletivos, sendo os demais integrantes nomeados, ainda a Junta Consultiva integrada pelos senhores: Doutor João Pereira dos Santos, Jose Luiz da Silva, Jose de Andrade, Maria Neide da Silva, Antonio Joaquim, Antonio Esteves Pires, Luciano Correa, além de mais 14 suplentes e a divisão fiscal, composta por três pessoas.

Esta entidade para dar uma amostra do que tem sido seus esforços, segue abaixo uma relação parcial de suas atividades.

Serviços públicos: como os demais bairros da capital paulista, a Vila Brasilina está dotada de diversos serviços públicos: municipais, estaduais e federais. Nesse sentido podemos destacar os seguintes:

Pavimentação: das varias ruas como a São Jose, a Dom Vilares, Presidente Arthur Bernardes, Marquês de Lages, Coronel Fawcet, Simão Lopes, Nossa Senhora da Saúde, Doutor Odilon, Santa Ângela, Evolução, 7 de Setembro e Avenida do Cursino, etc.

As demais ruas ainda desprovidas desses melhoramentos, são conservadas com maquinarias, técnica e pessoal especializado, meios estes, disponíveis em cada uma das 12 administrações Regionais, sob cuja jurisdição está subdividida a capital, pertencendo a Vila Brasilina à Administração Regional do Ipiranga, sobre a qual mais tarde falaremos.

Guias e Sarjetas: nas ruas: – 1.º de Maio, Engenheiro Silva Braga, Tolstoi, Serpa Sobrinho e outras.

Pontes: há na Vila Brasilina três córregos que são: Boqueirão, Córrego Vermelho e seu afluente, constituindo assim uma bacia hidrográfica onde, para serem as ruas transitáveis, houve a necessidade da construção de diversas pontes e de algumas outras obras enquadradas no programa de obras da municipalidade. Assim encontram-se constituídos os pontilhões da Rua Dom Vilares, Rua Marquês de Lages, Rua Engenheiro Silva Braga e programados os da Rua São José, Rafael Ficondo e Doutor Odilon.

Galerias: Rua Dom Vilares, 7 de Setembro, Piloto, Nossa Senhora da Saúde, etc.

Iluminação pública: ruas Nossa Senhora da Saúde, Dom Vilares, São José, Evolução, Santa Ângela, 1.º de Maio, Simão Lopes, Coronel Fawcett, Avenida do Cursino e parte das ruas Doutor Odilon, da Rafael Ficondo e outras programadas.

Limpeza pública: está sendo feita regularmente a coleta de lixos em todo o bairro embora, por vezes, haja nesse sentido algumas justas reclamações.

Comunicação: é o bairro servido de correios e telégrafos cujas correspondências são normalmente distribuídas nas varias ruas, pelos carteiros da agência mais próxima, situada no Jardim da Saúde. Provida de alguns telefones públicos, muito embora tenham sido os primeiros instalados em 1969, o bairro já pode comunicar-se telefonicamente, contando com vários aparelhos particulares, graças à grande expansão da concessionária que, dentre as varias subestações criadas, resultou a subestação do Jabaquara, com jurisdição na Vila Brasilina, permitindo através da linha de número 275, com grande disponibilidade, o atendimento de todos os pretendentes do bairro.

Transportes: a Vila não se beneficia ainda de nenhum sistema de transporte mantido pelo poder público. Os transportes coletivos, com exceção do período de 1958 a 1960, na ocasião operada pela linha 112, da CMTC- Companhia Municipal de Transportes Coletivos – continua sendo feito, por concessão precária, pelas empresas particulares credenciadas. Contudo aguarda-se com grande ansiedade a conclusão do Metrô, que virá dar o mais pleno atendimento ao bairro, tornando-se um dos importantíssimos serviços públicos prestados a comunidade e equiparando nossa capital as grandes metrópoles do mundo moderno.

Higiene e saúde: serve-se a população dos meios e recursos colocados ao seu alcance para a preservação da saúde, além do Posto de Puericultura e das Campanhas de Vacinação destinadas à proteção, mormente da população infantil, onde recebe até produtos alimentícios como leite, farinha e outras proteínas, bem como, na idade escolar recebem a suculenta merenda fornecida pelas escolas.

Outros meios são adotados, considerando-se por exemplo: centro de saúde, pronto socorros, hospitais, institutos especializados, dispensários, dependências da fiscalização de higiene, sempre dotado de ambulâncias para os transportes doas pacientes, além da Assistência Social desenvolvida pela Secretaria Municipal do Bem Estar Social e pela Secretaria Estadual de Promoção Social, sobre tudo contamos ainda com o Instituto Nacional de Previdência Social, constituído pela unificação dos vários Institutos de Previdência e reformulando sistema de atendimento, resultou que todos os filiados ao Instituto Nacional de Previdência Social encontram a mais ampla e pronta assistência, inclusive medicamentos, mormente tendo em vista a perfeita observância do convênio instituído com todos os hospitais e casa de Saúde particulares do país.

Policiamento: até 1968 a vila contou com serviços policiais da 16ª Delegacia Distrital, auxiliada pelo posto policial de Vila Moraes e posteriormente passou a pertencer ao 26º Distrito Policial que vem prestando esse grande benefício à população, onde reina ordem e tranquilidade, mantidas também com a permanente assistência da Rádio Patrulha da Ronda e outras formas de policiamento. Contudo, dada a exiguidade dos meios com que constam, nem sempre se consegue o indispensável atendimento nas ocasiões necessárias.

Em virtude disso, para suplemento desta carência, um grupo de moradores tomou à iniciativa de criar uma guarda de vigilância que, em colaboração com as organizações policiais, prestará brevemente serviço noturno suplementar a população, especialmente o sentido preventivo. Transito Com o desenvolvimento progressivo do bairro e o melhoramento das vias públicas, tornou-se bastante intenso o trafego nas principais ruas, contudo é escassa a orientação por parte do DETRAN – Departamento Estadual
de Transito.

Com exceção de algumas ruas como a Avenida do Cursino e a Rua Dom Vilares, não há nas demais nem semáforos, sinalização, faixa de segurança, guardas ou qualquer outra forma de manutenção da ordem no transito. Por esse motivo algumas ruas necessitam sinalizações e mão única e faixa de segurança, controle de velocidade, para travessia de pedestres, bem como, semáforos, etc.

Administração Regional do Ipiranga: para melhor administrar a capital paulista e desburocratizá-la simplificando sua administração, resultou a divisão da mesma em Administrações Regionais. Inicialmente dividida em quatro regionais, conta atualmente, com 12 Administrações e uma Coordenação das mesmas. Cada Regional é dirigida por um Administrador, de ilibada reputação e saber, pessoa da confiança e nomeada pelo Prefeito Municipal, e se compõe das varias seções indispensáveis a boa administração da região de sua jurisdição. Está a Vila Brasilina situada na Administração Regional do Ipiranga, cuja área de sua incumbência administrativa abrange 70km² e aproximadamente um milhão de munícipes, disseminados por várias vilas e bairros. Esta subdivisão administrativa está comprovada como de grande importância, mesmo porque, as Administrações Regionais vem recebendo dos Prefeitos Municipais cada vez maiores incumbências e ampliações. Desta forma, encontra-se dotadas dos meios e recursos indispensáveis, tais como: equipamentos, maquinarias, técnicos assistentes sociais, educadores, funcionários, etc.

Atualmente é a Administração Regional do Ipiranga, dirigida pelo ilustre Nilo Batista Sucuyama, que tão bem vem atendendo as reivindicações das entidades representativas e os registros dos moradores de cada comunidade. Graças a esta permanente dedicação, encontram-se em andamentos diversos processos de melhorias da vila e várias providencias, reparos e conservação das vias públicas, além do perfeito andamento dos serviços prestados em forma permanente.

A Administração Regional do Ipiranga foi inicialmente dirigida pelo notável engenheiro Horácio de Almeida, os quatro anos seguintes estiveram sob a direção do Doutor Lomônaco e, a partir de outubro de 1969 até março de 1971, na administração do atual secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, Paulo Salim Maluf, foi dirigido pelo atuante engenheiro, Reinaldo Canto Pereira. Daquela data em diante, teve por sucessor, o dedicado engenheiro, Nilo Batista Sucuyama, que dirigirá a nossa Regional durante o mandato do atual prefeito, Doutor Jose Carlos de Figueiredo Ferraz.

Consoante ao exposto, o Conselho de Desenvolvimento de Vila Brasilina, primando-se no cumprimento das exigências estatutárias, vem mantendo o mais estreito entrosamento com os poderes públicos constituídos. Assim é que, além dos contactos com os gabinetes e Secretarias do Estado, encontra-se solidário com a Administração Regional. Quanto a esta, acha-se perfeitamente identificado no que se refere a todos os interesses da comunidade, bem como mantém perfeitas relações de correspondências e outras formas de comunicação. Porquanto encaminha cuidadosamente todas as reivindicações e acompanha assiduamente o andamento das mesmas.

Datilografado por Jose Roberto Ponciano – Vila Brasilina, 20/06/1972

Texto copiado e digitado por: Jose Carlos de Oliveira – Jardim Botucatu, 7 de novembro de 2008

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