Dialeto em São Paulo

Não bastassem todos os regionalismos que temos na cidade de São Paulo, expressões típicas de todas as áreas desse nosso imenso país, agora temos também algumas expressões que parecem dialetos inventados pela meninada.

Estava numa praça de alimentação de um shopping, saboreando meu almoço, e não deu para deixar de ouvir o diálogo travado entre dois jovens que se sentaram na mesa ao lado:

– “E aí, mano?”
– “Bele.”
-“E a mina, tá na área?”
-“Ih, já dei dell, meu…”
-“É nóis.”
-“Aí, brô, vamo dá um rolê hoje?”
-“Te dou um tc depois.”
– “Já é, meu..”
-“Vô nessa.”
-“Já era.”

Suponho que seja mais ou menos isso:

-Tudo bem com você?
-Tudo bem.
-E sua namorada, está por ai?
– Não, nós terminamos.
– Sei. Então, vamos sair hoje?
-Mais tarde te mando uma mensagem.
-Tudo bem, aguardo.
– Estou indo embora.
– Até mais.

Imaginemos, agora, esse diálogo presenciado por um turista estrangeiro, tentando falar e entender nossa língua, que, convenhamos, já não é muito fácil nem pra nós. O coitado não passaria da primeira frase e daria todos os nós possíveis no cérebro, consultando dicionários e amigos brasileiro para traduzir uma parte dessa conversa.

Seria engraçado se não fosse preocupante. A moçada representa nosso futuro, não só o deles. Como serão nossos médicos, advogados, engenheiros, profissionais em geral, daqui a alguns anos? Não temos que falar, ou pelo menos, saber nossa língua, para exercer qualquer profissão?

Espero ter tido uma impressão falsa sobre isso, e espero que essa conversa se restrinja a um diálogo entre eles, não aplicada em outras áreas de seu dia a dia, como escola, família, sociedade em geral.

Senão, fica uma pergunta no ar: "Quo vadis, meninada?"

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