Uma amiga me disse que no Shopping So Go Plaza, da Rua Galvão Bueno havia um restaurante por quilo serve comida japonesa. Interessado em preparar uma futura historia da gastronomia paulistana decidi fazer uma incursão pela região.
Apelando á memória, lembrei-me do final da década de 60 e dos anos 70. Na Liberdade, mais especialmente nas ruas Tomas Gonzaga, Estudantes e Galvão Bueno, atendiam casas com sotaque, ambiente e comida japonesa. Na época era uma excentricidade. Muitos afirmavam: “Que horror comer peixe cru”. Era a proposta dos pioneiros Hironde – Gombe –Sushi Lika –Sushi Yassu. Casas pequenas, comandadas por um sushiman e sua família.
Atendendo poucas pessoas simultaneamente e com cardápios complicados. Devido à dificuldade de comunicação os pratos eram identificados por números. Muitas exibiam vitrines com os principais pratos mostrados a cores e em esculturas de massa. Desde então o setor evoluiu. Hoje o paulistano se educou para comer e apreciar a culinária oriental. Os restaurantes se espalharam pela cidade. Vieram os coreanos, os chineses que então existiam se multiplicaram e se adaptaram aos novos tempos.
Hoje os restaurantes japoneses são em geral sofisticados, caros e em geral sem a intimidade das casas pioneiras. Claro que os mais sofisticados mantêm ainda os padrões antigos. Pequenos e com oferta de obras primas de renomados sushimans. Curioso para conhecer o quilo japonês (dia 17 de dezembro) me dirigi à Rua Galvão Bueno.
Descendo na esquina com a Rua São Paulo, constato que a comunidade comercial não achou necessário montar uma ¨festiva decoração natalina¨. Os tradicionais arcos e suas lanternas mantêm a personalidade do pedaço. Caminhando pela calçada da direita, em direção a Praça da Liberdade fui entrando em cada loja do pedaço. Todas repletas de mercadorias orientais, porem sem ostentar os símbolos natalinos, tão comuns em outros tipos de lojas. Oferecem eletrodomésticos, roupas, objetos para presente, artigos para culinária, frutas, verduras e legumes. Em cima do minhocão juntam-se camelos, vendendo principalmente CDs, DVDs, óculos e miudezas orientais. Um pouco antes de chegar à entrada do So Go uma loja imensa vende uma enorme variedade de produtos para a cozinha oriental. Na linha dos produtos frescos destaco os cogumelos, das mais diversas espécies a preços incríveis, se comparados aos pedidos pelos supermercados mais sofisticados. Só uma visita a esta loja vale a viagem.
Chegamos então à entrada, pela Rua Galvão Bueno, do So Go. Discretíssima decoração natalina. O que chama atenção é a enorme variedade de minúsculas lojas, espalhadas pelos corredores dos quatro andares do shopping . A maioria dos lojistas me parece recém-chegada, mal falam o português. Pelos corredores circula uma multidão variada de pessoas com diferentes características físicas, e de idade, misturam-se como em um verdadeiro caldeirão. A variedade de ofertas é impossível descrever tal o seu numero.
Predominam artigos relativos à nossa moderna cultura de eletrônica e informática. De repente uma lojinha oferece armas de samurais, outra tem quimonos para crianças. Este universo merece ser visitado. Deve ser precioso descobrir alternativas de presente, a custo bem baixo e que não se consegue encontrar nos alocais de compras natalinas. O ambiente é limpo, com ar condicionado, escadas rolantes elevadores e caixas eletrônicos. Sinto que apesar da multidão o local é seguro, sendo ainda de fácil acesso, pois fica a menos de 100 metros de uma estação do metrô.
Acho que chegou à hora de relatar o destino final de minha incursão pela região. Tomando um elevador, automático e bem conservado, chego ao terceiro andar. A direita de quem sai do elevador o espaço é ocupado por um estabelecimento que se denomina “Cia Oriental”. É um espaço enorme, totalmente tomado por mesas arrumadas na horizontal que devem acomodar pelo menos 150 pessoas simultaneamente. Aos fundos de quem entra, esta o local que apresenta o serviço. O balcão é um longo percurso que começa oferecendo comida tradicional brasileira, servida nos muitos quilos da cidade. No dia de nossa visita o prato principal era a tradicional feijoada. Logo a seguir encontramos variada oferta de entradas orientais frias, depois os sushis variadíssimos e os sashimis, em seguida as frituras e grelhados, e para finalizar diversos sucos e sobremesas. O próximo passo é o caixa. O prato é pesado e a refeição cobrada. Dias de semana R$44.90 o quilo e sábados e domingos R$49,90 o quilo.
Ao termino do percurso você recebe um missoshiro e um pedaço de melancia, sem qualquer cobrança, Me instalei em um conjunto de mesas que comportam oito pessoas, bem defronte a dois velhos orientais de cabelinho branco que com talheres ocidentais degustavam feijoada. Utilizando os pauzinhos, que domino com certa habilidade, passei a degustar o prato que montei e que me custou RS$25.78. Uma variada refeição que incluiu, pepino em conserva, bardana, geléia de feijão, repolho curtido, sardinha, cogumelos, variados sushis e pedaços de atum além de algumas frituras e tempuras. A comida estava apetitosa, fresca e com visual bem bonito, Um excelente custo beneficio.
Satisfeito dirigi-me ao andar superior, onde a mesma Cia Oriental opera uma restaurante convencional a la carte. A direita da saída do elevador, deparamos com o restaurante enorme. Suas mesas, arrumados com certo espaço comportam pelo menos uns 100 comensais de cada vez. Uma cúpula, tipo clarabóia enche de luz o local. Tendo almoçado, dediquei-me ao cardápio. Forrando a mesa uma toalha ao estilo serviço americano, fartamente ilustrada, oferece duas opções de rodízio, o de sushis por R$35.90 e o completo por R$49,90. O cardápio é imenso, em 18 paginas ricamente ilustradas, oferece uma enorme variedade de pratos, agrupados por categorias. Apresenta algumas coisas que desconhecia. Massas orientais – Almoço executivo Oriental – Almoço executivo brasileiro.
Os frequentadores mostram um perfil variado tanto em idade como em tipos raciais. Na mesa ao lado um grupo de jovens universitários degustava um sedutor combinado. Dada a proximidade do local com muitos estabelecimentos universitários posso imaginar que a frequência de jovens estudantes seja uma constante. Espero em breve voltar ao restaurante à la carte com meus amigos, para degustar a preparação de especialidades orientais, sem duvida com preços bem abaixo dos cobrados nos restaurantes da zona sul.
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