Desde que me conheço por gente, lembro que sempre teve em nossa casa uma árvore de Natal, sempre montada pelos meus pais, no dia seis de dezembro e desmontada no dia seis de Janeiro, dia de Reis, todos os anos.
Creio que, ainda bem novinho, no final da década de 1950, eu já ajudava a montá-la, e já com uns 12 anos já montava sozinho, nunca falhamos, na proximidade dessa data a expectativa era grande com a chegada do Natal.
Naquela época nem imaginávamos que teríamos as árvores artificiais de hoje em dia de todos os tipos, modelos, cores e tamanhos, umas até abrem como se fosse guarda chuva.
Nossa rua aqui na Vila das Belezas, Zona Sul, antiga Rua B, hoje João Fernandes Camisa Nova Junior, tinha uma chácara com uns 200m de comprimento e toda cercada de ciprestes comum, eram árvores altíssimas cerca de 20m de altura e todas uma ao lado da outra, fazendo uma grande barreira natural ao vento, que, em época própria assobiava, passando por elas, onde algumas envergavam, mas não tombavam, lembrando o filme livro de Emily Bronte, "O Morro dos Ventos Uivantes”, era assustador o ruído sibilar.
Nós aproveitávamos dessa facilidade e tirávamos galhos para usar como árvore de Natal e com o tempo plantamos semente em latas de tinta de 18 litros e depois de alguns anos a usávamos para enfeitá-las, encapávamos a lata com papel apropriado ao evento, após a passagem do Natal tirávamos todos os enfeites e levávamos a árvore com a lata para o fundo do quintal e ela se desenvolvia, se recuperava daquele mês fechado em uma sala, para isso enquanto ela estava dentro de casa, molhávamos a terra para mantê-la bem e assim usamos por vários anos a mesma árvore, creio que uns três anos, depois disso ou ela morria ou crescia muito, mas antevendo essa possibilidade já preparávamos outra pois tínhamos terreno para isso, também era comum colocar em torno da árvore o presépio.
Lembro que antes de montá-la, encerávamos o taco da sala com a famosa cera parquetina e depois dávamos o lustro com uma peça de ferro fundido pesada, que tinha um cabo móvel, esse peso era forrado com um pano de lã e era um ir e voltar como se estivéssemos usando um rodo e o brilho aparecia bem bonito, pois naquela época ainda não tínhamos enceradeira elétrica, hoje em desuso também.
Mas, o que era mais gostoso, e isso não sai de minha mente, de meu olfato, era o perfume que esse tipo de cipreste comum exalava, o ambiente todo ficava com um ar de planta silvestre muito agradável, característico desse cipreste, ela tinha umas semente pequenas tamanho de uma bolinha de gude de forma irregular e uns espinhos pequenos que muitas vezes usamos no estilingue.
Os enfeites também eram diferentes dos de hoje, não tínhamos o pisca-pisca, usávamos velas de diversas cores, ela era fininha e altura de dez centímetros mais ou menos, ela era colocada num grampo metálico com acento para a vela, tipo prendedor de roupa e fixávamos no galho da árvore e a noite as ascendíamos com cuidado para não queimar os galhos acima, juntamente com elas colocávamos algodão e as famosas bolinhas que até hoje existem, porém naquela época eram mais frágeis.
Esse ritual se repetia todos os anos até, creio que até o final dos anos 60, aos poucos nos adequamos às novidades em termos de árvores e enfeites, mesmo porque como tudo no comércio visa o lucro e a massificação também atingiu as festas natalinas.
Vemos hoje em dia em alguns lugares árvores naturais, bonitas, mas não é de cipreste e sim de pinheiro, apesar de lindas, não possui aquele odor característico do cipreste, sem aquele perfume natural, até hoje ao montarmos a nossa árvore sintética, parece que sinto o odor do cipreste e logo vem a imagem de minha infância.
Mas, são os tempos e nos adaptamos a nova realidade e talvez por causa de nosso comodismo adotamos a nova tecnologia, mas mesmo assim continuamos todos os anos a montar a árvore com a mesma fé e amor, agora moderna, com pisca-pisca e mil enfeites diferentes.
Porém, principalmente pensando sempre no menino Jesus, que nessa data comemora seu aniversário e infelizmente, ninguém se lembra dele, bebem, comem, abraçam, beijam, assistem aos fogos espocarem nos ares, trocas de presentes, vivas ao Papai Noel e nenhuma menção ao salvador, nenhuma oração, um pai nosso, oração que ele nos ensinou, enfim, coisas do ser humano. Feliz Natal a todos com Jesus Cristo, Nosso Senhor
E-mail: [email protected]