Como eram gostosas aquelas tardes
De verão.
Eu e minha saudosa mãe querida.
Abraçados e juntos ao portão.
E assim bem próximos lado a lado
Como se fossemos um par enamorado
Conversávamos bem baixinho
Relembrando as coisas do passado.
Das brincadeiras que eu fazia de pequeno
Quando meu bairro ainda era sereno.
O mundo então, ainda não me assustava.
E o desemprego para mim não existia.
Em salários ou então aposentadorias
Eu ainda nem pensava,
Pois aquele mundo enorme em que eu vivia
Com afeto e com carinho me embalava.
Minha cidade era bela exuberante,
Amizade entre os vizinhos era constante,
Todo mundo se amava e se falava
Entre os parentes!
Então…
Fica hoje em minha mente bem patente
Era tudo diferente, até demais.
Contrariando o que acontece atualmente
Nossas famílias se encontravam muito mais
Então, o progresso chegou.
Com ele no lugar da terra; o asfalto.
Mas para tirar a nossa paz. Veio o assalto.
No lugar do Bonde, o metrô.
E ninguém ouviu mais o por favor.
Igual ao daquele velho cobrador
Do bonde já então desativado.
Cresceu assim um povo mal educado
Que aposentou o da licença
E até o popular muito obrigado.
E assim hoje em dia,
O paulistano desgastado e já cansado
Dessa vidinha poluída e agitada
Espera o fim da semana intranquilo
E sem encontrar mais nem um pouco só daquilo
Que na cidade no passado o atraia
Sai de fininho aos sábados sem dizer nada.
Enche seu carro com seus trecos
Sai para o campo, ou enfrenta o trânsito e vai à praia.
Ninguém vê mais os seus vizinhos,
Que outrora a gente sempre via.
E eu percebo veja só, quanta ironia.
Que infelizmente hoje em dia
Não sei nem o nome do dono da padaria.
Onde diariamente, busco ou pego o meu filão.
O paulistano, coitado vive hoje enclausurado.
Já quase não sai de casa, nem de noite nem de dia.
Vive fechado em casa encarcerado
Com muito medo de também ser assaltado.
Nossa cidade hoje em dia.
Ganhou uma nova cara
Até muito interessante
Pode hoje não ter tantas palmeiras.
E até pouquíssimos sabiás.
Mas ganhou muito mais vida,
Que enchem os olhos meus,
Com suas modernas pontes e avenidas.
E seus enormes arranha-céus.
Cresceu muito, e então ficou adulta.
Inteligente, alegre educada e culta.
Amo demais o meu São Paulo antigo
E amo essa nova cidade também.
Amo o bairro em que cresci e que vivi
Minha querida e moderna Freguesia
E o meu querido Largo da Matriz,
Que hoje pelo que sei, e também vi.
Permanece igualzinho, e do jeitinho.
Como era no tempinho em que nasci.
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