Meus sogros eram descendentes de italianos e moravam no Cambuci, no conjunto do IAPI, bem em frente ao atual prédio de atendimento médico do INSS.<br><br>Como bons italianos, a família falava e ria alto, enfim, fazia muito barulho quando estavam todos reunidos.<br><br>Aos sábados à noite não se comia outra coisa que não fosse pizza! No início, a minha sogra preparava a massa, os recheios, enfim, cuidava de tudo. Mas o tempo foi passando, seus problemas de coluna aumentando e começamos a – como eles diziam – "chamar pizza" para aliviá-la.<br><br>Enquanto aguardávamos a entrega, a conversa (e às vezes alguma discussão) corria solta e barulhenta… Mais de uma vez, vizinhos que passavam embaixo da janela da sala (meus sogros moravam no primeiro andar do prédio) e gritavam: <br>- "E aí, Warte, quer que ‘chamemo’ a polícia?"<br>Era uma gozação só!<br><br>As crianças, nossos filhos e sobrinhos – quem chegasse primeiro – ficavam na janela da sala, empoleirados, vigiando a rua, mais propriamente a esquina, para ver qual carro chegaria primeiro trazendo qual primo…<br><br>A chegada era comemorada com muita alegria, gritos e bagunça, mas muita bagunça! Minha sogra, a dona Bia, deixava na sala uma caixa enorme cheia de brinquedos que era instantaneamente esvaziada no meio da sala, assim que se reunissem dois ou mais primos… Os brinquedos eram deixados exatamente onde haviam caído e as crianças iam para o "quarto do meio" brincar com qualquer outra coisa! Eu dizia para a dona Bia não manter mais aqueles brinquedos, uma vez que só serviam para nos fazer recolhê-los, mas ela, além de não aceitar a minha sugestão, ainda não nos deixava fazer com que as próprias crianças os recolhessem. Ela dizia: <br>- “Deixa eles, eles estão na casa dos avôs… Na sua casa você os orienta mas aqui, deixe-os à vontade!”<br><br>E, conforme nasciam os primos, os mais velhos iam dando o direito dos que deixavam de ser os caçulas de participarem das brincadeiras…<br><br>O meu sogro, o Sr. Walter, era muito engraçado: não era muito gordo, mas adorava pizza (e quaisquer outras massas) e dizia que estava tomando remédio para emagrecer. Assim que colocava dois pedaços de pizza no seu prato (os primeiros "dois"), abria um vidrinho e espalhava pequenas bolinhas sobre eles, dizendo que era remédio para emagrecer! Ríamos muito, mas ele falava sério…<br><br> No próximo mês fará seis anos que ele não está mais entre nós… <br><br>Bons e velhos tempos! Quanta saudade! <br><br>E-mail: [email protected]<br>