Relembrando…

Era uma simples casinha que parecia ter sido desenhada por uma criança iniciante nessa arte.Toda branca e com portas e janelas de madeira rústica, pintadas de azul. A sua volta, muito verde. Arvores frutíferas, verduras e flores.<br><br>O espaço era pequeno, apenas quinhentos metros quadrados, mas muito bem aproveitado. Eram laranjeiras, pereiras, caquizeiros, pessegueiros… As parreiras formavam caramanchões onde, aos domingos, a nossa grande família se reunia para o almoço.<br><br>Verduras eram as mais diversas, alface, couve, catalonia, escarola, chicória, salsa, cebolinha vagem, ervilha e outras. Também encontrávamos muitas ervas, utilizadas para fins medicinais e para temperar diversos pratos. Tudo era cultivado pelos meus avos e distribuído para a família e os vizinhos. <br><br>Algumas poucas coisas eram vendidas nos fins de semana, quando minha avó – morando no Tatuapé e provida de uma grande cesta cheia de produtos ali produzidos – se dirigia ao Mercado Municipal de São Paulo, tomando um bonde chamado de “camarão” que ia da Penha ate o Mercado Municipal, passando pela Av. Celso Garcia.<br><br> O bonde era tinha dois bancos no seu comprimento e um espaço entre eles para os volumes que os passageiros levavam. Era usado principalmente por pequenos agricultores domésticos, que podiam carregar para o “centro” os produtos que comercializavam. As cestas da minha avó voltavam cheias de alimentos adquiridos no Mercado Municipal. Era praticamente uma troca.<br><br>Ah! E as flores! Como eram lindas!<br><br>Rosas, camélias, jasmins, margaridas, copos de leite, cravos, violetas, amor perfeito, palmas que no tempo da florada cobriam de branco um grande espaço chamando atenção de todos que por ali passavam, pois que não havia muros, somente uma cerca de arame com trepadeiras cheias de cachos de “rosa chorão”, dando um encanto natural a toda aquela simplicidade. Lembro-me da cesta enorme, toda florida, carregada por minha avó para o Mercado Municipal para vender durante o dia de finados.<br><br>Toda manha o perfume o perfume que exalava desse quintal era inesquecível, principalmente quando floriam as laranjeiras e os jasmins. Os pássaros, borboletas e cigarras “marcavam o ponto” todos os dias, nos deliciando com sua musica, tão naturalmente harmoniosa.<br><br>Os responsáveis por essa maravilha eram os meus avós, portugueses, lavradores em sua terra, humildes, batalhadores, dignos e de muita sabedoria.<br><br>Ah! Quanta saudade de minha infância, muita dificuldade e ao mesmo tempo felicidade. Agradeço a Deus pela base sólida e digna que tive. E lá se foram décadas. Restam-me as boas lembranças!<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>