São Paulo do presente e do futuro

O texto que enviei ao SPMC foi escrito com o título Dia da Pessoa. Inspirado num texto de Lia Luft. Como vêem, não foi publicado. Este que vocês estão lendo é semelhante àquele, pois quer reverenciar autores, e sua gama de atributos. Eu me considero um deles, cremos que estamos reconhecendo a julgar pelos comentários e as cinco mil histórias publicadas que somos uma equipe eclética.

Não há uma linha única de pensamento e narração. Divergimos bastante e isso é natural e saudável. Única condição, gostar da cidade de São Paulo, acho que essa opinião é unânime.

Pergunto-me às vezes quando penso no assunto, se nossos textos não deveriam contemplar mais o presente e o nosso futuro, pois o passado, embora nos ensine corrigir os erros, já se foram. No presente que se constitui em uma nova realidade será o nosso passado amanhã.

Quero me reportar à expansão natural da cidade de São Paulo. Nós, os saudosistas do centro velho, por exemplo, aprendemos através dos comentários postos, e que na realidade mudaram. Se o Centro velho tem histórias, os locais frequentados pela atual juventude, até os 50 anos… Barzinhos, colégios, praças, boates, centros de recreação, locais de trabalho vão ter amanhã futuras deliciosas lembranças das experiências aprendidas e que nos serão contadas para o prazer e a alegria dos nossos netos, quem sabe? Vamos ser realistas.

Acontece que para concordar com esse ponto, nossos bairros e periferias devem conter o cuidado das nossas autoridades. Claro, já acontece, mas quero dizer que há valores fundamentais a preservarmos, tanto aqui, como lá. O nosso bom viver dá prazer em todos os lugares do planeta e no perímetro urbano da cidade de São Paulo.

Particularmente custei a entender. Sempre me concentrava em lembranças do Centro, onde praticamente foram os lugares que conheci, a São João, Largo do Arouche, Senador Queiróz, Liberdade, Ipiranga, Brás, Bom Retiro, Estação da Luz, Parque Dom Pedro II…

O "negócio" é que nos bairros e nas periferias não tiveram a vivência necessária que tivemos durante a nossa experiência na metrópole. “O que fazer”, me pergunto, “para não as deixarmos ficar de fora?”. Parar de escrever não vai dar.

É normal os paulistanos comentarem nossos textos, alguns, que vivemos fora e por pouco tempo não conhecemos a cidade, como que dando-nos um "chega pra lá, você é de fora”.

– O que vamos fazer com o nosso amor por São Paulo? Talvez seja preferível continuar escrevendo sobre o centro velho e não inventar.

Uma responsabilidade afeta a todos. Como resolver os problemas oriundos do volume da população, o trânsito, trens, metrôs, transporte coletivo numa cidade como São Paulo. E a preocupante violência à flor da pele?

Também reconheço que falta imaginação e criatividade para abordarmos essas questões. Se me reporto ao assunto é porque já escrevi "n" histórias, sendo que no meu ponto de vista, se tenhamos créditos, por que não sugerir que algo precisa ser feito no sentido de melhorar a qualidade de vida dos paulistanos?

E reconheço minha total incapacidade para dar soluções práticas. Não sei mesmo o que fazer para que a população seja contemplada com o mínimo necessário: creches, jardins de infância, Colégios com boa educação, segurança pública, policiamento bem preparado, hospitais, centros de recreação, cinemas, teatros, museus, Shoppings Centers, comunidades para acolhimento de idosos, solitários…

Eu acho que quero transformar São Paulo em um paraíso. Que sirva para nossa reflexão.

E-mail: [email protected]