Desde os tempos de criança sempre fui aficionado por balões juninos. Admirava-os durante a soltura e ficava inconformado com a volúpia dos "catadores" em tentar resgatá-los no momento da queda, pois sempre os balões acabavam em pedaços ou incendiados.<br><br>Com mais ou menos 12 anos de idade disse a minha mãe que gostaria de saber como são feitos os balões. Para a minha surpresa ela disse que sabia como eram feitos, pois todos os anos os meus tios (irmãos dela) faziam vários balões e, de tanto ver, ela acabou aprendendo. <br><br>Ensinou-me como são feitos (conforme o modelo) os cortes do papel de seda, as emendas, as dobras e as intercalações dos gomos. Com seus ensinamentos, acabei fazendo o meu primeiro balão, um caixa de 8 folhas. Fiz a boca com capricho e utilizando o arame adequado e a mecha era proporcional ao tamanho do balão. Soltei e o mesmo subiu e foi para bem longe, me deixando plenamente alegre e satisfeito.<br><br>A partir de então, a cada ano fazia vários balões, sendo os modelos de minha preferência: almofada, caixa, mexerica e pião. Com o tempo fui aperfeiçoando a arte e improvisando detalhes. A minha paixão por balões jamais deixou de existir, mas a minha decisão de nunca mais fazer e soltar balões foi firmada em um momento muito especial e imprevisto conforme relato abaixo:<br><br>No final da década de 70 fiz um lindo balão, seguindo o modelo “pião”, todo colorido, de porte médio e com mais ou menos 30 folhas. Meu cunhado, João Carlos, que infelizmente não está mais entre nós, vendo o balão sugeriu que soltássemos no pátio de manobras de sua residência, onde já havíamos soltado vários outros. O mesmo morava na Rua Comendador Miguel Calfat, numa vila que fica entre as Ruas Clodomiro Amazonas e Professor Atílio Innocenti, na Vila Olímpia. Na data e hora combinada, iniciamos os procedimentos para a soltura. <br><br>Era uma linda tarde de domingo, ensolarada, sem nuvens, um verdadeiro céu de brigadeiro. Concluídos os procedimentos, o João Carlos foi encarregado de acender a tocha e eu segurava a boca para o momento de soltar. Assim que a tocha foi acesa, em cerca de 30 segundos, pela força adquirida, tive que soltá-lo. Não havia vento e o balão subia quase verticalmente, com pequena inclinação para a zona sul. Passados menos de 3 minutos e o balão já numa altura próxima de 400 metros do solo, eis que surge repentinamente um “Electra” (avião da Varig), em sua direção com grande possibilidade de atingi-lo. <br><br>O piloto, demonstrando rara habilidade e sem ter tempo de comunicar aos passageiros,bruscamente acionou o manche fazendo com que a asa ficasse em posição bastante obliqua para evitar a colisão. Com o vento produzido pela passagem do avião, o balão rodopiou por instantes e logo voltou ao equilíbrio continuando o seu destino para bem longe e o avião, assim que passou pelo balão, retornou à posição normal para também seguir seu destino, o Aeroporto de Congonhas.<br><br>O susto que cada ocupante da aeronave passou nas alturas certamente foi grande. O susto que eu passei em terra foi o suficiente para uma decisão que jamais imaginaria que um dia fosse tomar: <br>-"Nunca mais farei ou soltarei balões juninos"<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>