Foi em Campo Limpo que desembarcamos para a baldeação. A conexão se completaria através de uma ponte de ferro para a plataforma do Rápido a diesel. Tudo às pressas porque os horários se coincidiam e minutos depois já sentado no carro de 1ª classe o destino era a capital. Desconhecida, sonhada e ansiosamente esperada. Os solavancos da bragantina ficaram para trás, agora a bitola da São Paulo Railway, ou inglesa como era chamada, deslizava suavemente pelos trilhos. Em poucos minutos as luzes se acenderam e o trem entrou no túnel, em cima dele estava uma montanha de proporções. As placas que anunciavam as estações foram ficando sem que o trem parasse: Juquery, Caieiras, Perus, Jaraguá, Pirituba. Já dava para perceber pelos núcleos de casas que a capital estava próxima. Lapa, Água Branca, Barra Funda antecederam a principal. A silhueta da grande cidade se delineava majestosa. Quando a composição estacionou, ali estava a Estação da Luz. Por poucos instantes pude observar o trem, de cor vermelha a locomotiva, marrom clara os carros que eram revestidos de chapas de aço reluzentes. Olhei para todos os lados e me senti pequeno diante da grandiosidade do recinto. O trem estacionado no fosso, e bem acima do seu leito a rua da cidade se mostrava através de enormes portas por onde transitavam pessoas apressadas. No meio fio da calçada, fileiras de automóveis esperavam os passageiros. Quando cheguei à rua os meus olhos acostumados à penumbra se encheram da claridade do dia. Os bondes soavam nervosamente o seu sino pedindo passagem pela rua congestionada. O meu cérebro acelerava à mil, o meu pescoço girava 360°, meus braços doíam com os puxões do meu pai que repetia: olhe pra frente. E, assim guindado por um homem experiente de capital, tomei o primeiro bonde cuja placa: Ponte Pequena, me levou até a fabrica de instrumentos musicais Werill. Depois de uma estafante maratona de compromissos, e amarelo de fome, sentei-me à mesa do Restaurante Leão e fiz as pazes com o meu estomago.