Quando fui morar no Braz, na Rua Assumpção, era o ano de 1957.
A escola onde cursei o primário era o Grupo Escolar Romão Puiggari, onde tive o privilégio de conhecer uma dedicada e inesquecível professora – Dona Aurélia.
Naquele tempo, a travessia da Av. Rangel Pestana só era permitida para os alunos se fosse pelo túnel. Esse túnel tinha uma entrada junto a calçada do R. Monteiro e saída em frente ao portão da escola.
Outra figura sempre lembrada é a do guarda civil que parava o transito para as crianças atravessarem a Rua do Gasômetro. O guarda era amigo de todas as crianças e as chamava pelo nome.
Lembro bem da Papelaria Cruzeiro, do bar do Arthur, da Loja do Silvio, do futebol jogado ora na rua (com o gol no portão da fábrica Mariangela) ora na Travessa Lameirão (para o desespero e ameaças do Tandú, que trabalhava no mercadão durante boa parte da madrugada, e que tinha de dormir durante parte do dia) ora nos campos de terra do parque Dom Pedro.
O pessoal da rua Assumpção brincava na calçada com os carrinhos de rolimã, para o tormento da vizinhança e desespero da Dona Olívia (uma velhinha que havia sido vedete nos anos 30 e trabalhava durante a noite em um cassino que ficava junto a casa pirani)
Como falei em jogar futebol no parque Dom Pedro, não esquecer de contar que após os jogos, todos suados em bica, íamos tomar água no chafariz da Assembléia, e bebíamos aquela água imunda que circulava entre o dique e voltava a ser esguichada pela boca dos leões, mas nós acreditávamos que a água vinda da boca dos leões era limpa.
A maioria dos moradores era de origem italiana, e freqüentavam a igreja de San Vito (onde fui coroinha) e as memoráveis quermesses.