Meu pai e meu cachorro Dilim

Stéfano era o nome do meu pai, um exímio alfaiate que teve sua alfaiataria na região da Lapa, era bem quisto e conceituado, pois seus ternos tinham o caimento perfeito e não havia ninguém que se desagradasse dos seus serviços.

Por volta dos anos 50 viemos morar na nossa querida Vila Hamburguesa, mais precisamente na Av. Imperatriz Leopoldina, ainda sem asfalto e iluminação.

Cresci, estudei e brinquei muito por aqueles arredores e o tempo foi passando. No ano de 1959 minha mãe transferiu-me para o colégio Mário de Andrade, na Vila Ipojuca. Já grandinha tomava ônibus na volta para casa à noite e havia uma colega de classe (que mantenho contato ainda hoje) que me acompanhava até um certo trecho do caminho, que depois percorria sozinha em busca do transporte. Descia no final ponto final e, para a minha tranqüilidade, lá estavam meu pai e meu cachorro Dilim a minha espera.

Coloco o seu nome em maiúsculo porque foi um companheiro fiel em todos os
momentos enquanto viveu.

Especial mesmo era meu Pai, que além de ser bom alfaiate era um massagista nato. Mesmo não sendo profissional na área, tinha em suas mãos o dom de curar torcicolos e nervos fora de lugar. Ele atendia até mesmo aos jogadores das várzeas lá existentes, fazendo uma espécie de gesso com breu e clara de ovo (que eu batia) e colocava em uma gaze enfaixando os pulsos, os pés ou o que mais se teria lesionado, sem nada cobrar.

Dava de graça o que de graça recebeu. Esses dois personagens da minha vida, já se foram há muito tempo, mas na minha memória estão bem vivos, meu Pai com seus doces olhos azuis e meu cachorro Dilim com seus pêlos pretos e lisos, deixaram no meu coração uma suave lembrança que levarei comigo para sempre, e uma grande lição de solidariedade.

Obrigada por mais essa oportunidade, abraços a todos.

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