Chauffeur de taxi

No ano de 1959 o programa mais feliz que podia existir era visitar a minha avó materna, Dona Zezé, que morava na Rua Vitorino Camilo, no quarteirão mais próximo à Alameda Glete, onde havia a garagem dos bondes.

Em sua casa, um sobradão espaçoso, moravam mais dois tios com as famílias e os primos, cúmplices naturais das traquinagens.

Meu tio Olavo usava uma bicicleta aro 28 como meio de transporte, lembro que era equipada com um pequeno dínamo que possuía uma cabeça ranhurada que girava com o movimento da roda da "magrela" e alimentava um farol cromado muito potente.

Meu outro tio, Júlio tinha adquirido um Simca-8, carrinho de pequeno porte e muito problemático de mecânica. Parecia muito com um carrinho inglês chamado Prefect Circle, muito mais numeroso nas ruas daquela São Paulo de 52 anos passados.

Naquele tempo, jogar bola na calçada, brincar com "sangue-de-diabo" (que manchava as roupas de vermelho, mas depois sumia) e outras brincadeiras como “salva-pega” e “mãe-da-rua” era o que consumia o nosso dia.

Para os lados da Alameda Nothmann vimos algo inacreditável, o taxi preto quadradinho, de marca Hillman com a tradicional televisãozinha branca de plástico sobre o teto e as letras em verde. O veículo estava manobrando para entrar na garagem e era uma novidade naquela rua. Terminada a manobra desceu uma motorista, para o espanto de todas as crianças, com as roupas clássicas dos chauffeurs, calça comprida azul-marinho e camisa branca com aquelas argolas sobre os ombros como usavam os motoristas de ônibus. E o assunto tomou conta de todos substituindo toda e qualquer brincadeira.

Este assunto veio à tona quando vi uma matéria sobre caminhoneiros na TV, focalizando as valentes mulheres da "boléia", algo que hoje não é tão impactante. Para um país que possui uma presidenta e um punhado de ministras, uma onda de valorização para as profissionais do belo sexo. Espero que indique uma equidade salarial em um futuro próximo. Afinal elas merecem!

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