Todos nós lembramos o nome da primeira professora. A minha era muito doce, parecia com a avó de muita gente, Seu nome era Benedita, uma mulher muito elegante e vaidosa, boca e unhas sempre vermelhas e uma pele muito branquinha. Lembro sempre que, no final da aula, ela abria a bolsa e tirava uma caixinha de pó compacto e com o auxílio de uma esponjinha passava no rosto e em seguida vinha o batom, e eu não perdia um lance. Esperava sempre esse momento da aula e logo em seguida ouvia-se o sino batendo lá fora, indicando que a aula havia terminado. Essa lembrança ficou guardada em minha memória e não sei dizer se aguardava ansiosamente o final da aula ou se o gesto de tanto cuidado e carinho consigo mesma era o que me chamava à atenção.
Lembro também da professora do 2ºano, muito carinhosa, que me presenteou com um livro no meu aniversário. No ano seguinte tive aula com a professora mais enérgica da escola e morria de medo. Assim o tempo foi passando e ano após ano elas entravam na minha vida transmitindo não somente o conhecimento, mas também muito carinho, umas com voz terna e outras nem tanto. O importante é que todas marcaram a minha vida.
Foi no ensino médio, antigo colegial, cursado no Instituto Estadual de Educação Alexandre de Gusmão, que conheci a professora que influenciou minha vida profissional: Maria Gabriela Vaz, professora de Biologia. Aparentemente uma pessoa comum: morena, de estatura mediana, magra, dona de um olhar calmo e doce, sempre com um sorriso estampado. Na aula estava sempre atenta, nada escapava, conseguia controlar todos os alunos e não me lembro de vê-la alterar o tom de voz ao menos uma vez.
No primeiro dia de aula nos explicou, com sua fala mansa, como seriam suas aulas e assim cumpriu o cronograma por todo o ano.
Em todas as aulas fazia uma chamada escrita, que era por sorteio. As sorteadas do dia respondiam questões de toda a matéria dada, mas ninguém ficava livre, pois depois do sorteio o número da chamada (uma pedrinha de tômbola) voltava para o terrível saquinho vermelho.
Tínhamos atividades extracurriculares, como um curso de primeiros socorros com direito a medir a pressão arterial e aulas para aprender a aplicar injeção com soro fisiológico, primeiro numa laranja, depois no braço de uma colega. Não preciso dizer o medo de cada uma na hora de receber a terrível agulhada, mas estávamos sempre sob o olhar atento da Gabi.
O melhor veio no mês de julho, quando tivemos que escolher um hospital para estagiar, optei pelo Hospital do Servidor Público que era o mais próximo da minha casa, na Rua Pedro de Toledo. Estagiamos em vários setores: Pediatria, Neurologia, Queimados, Pré-natal, onde certo dia numa tremenda "saia justa" dei de cara com a diretora do colégio numa consulta. Admirava a forma e o empenho como administrava a matéria e aos poucos fui me interessando pelo assunto e abandonei a idéia de cursar medicina. Algum tempo mais tarde passei no vestibular. Fiz a escolha certa, pois exerci a profissão de Bióloga por mais de 26 anos e foi tão prazeroso que a sensação que ficou é a de que eu não trabalhei um dia sequer.
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