Era a segunda metade da década de 70; recém-casada, fui morar no Alto da Mooca e viajava muito com meu marido nos finais de semana para visitarmos os familiares no interior do Estado. Ao menos a cada quinze dias, íamos ter com a vida bucólica de Descalvado, rever amigos para então, na tardinha do domingo, retornarmos à Capital.
Nosso itinerário final na volta para casa era a Rua dos Trilhos e Siqueira Bueno. Obviamente que nossa diversão de finais de semana quando ficávamos na Capital, assim como da maioria dos paulistanos, era descobrir e frequentar restaurantes, mormente os recém-inaugurados: havia sempre novidades.
Numa dessas viagens pegou carona conosco uma amiga do interior, que também morava no Alto da Mooca e por causa dela mudamos o itinerário.
Já havia escurecido e nos chamou a atenção uma construção de concreto, com o teto arredondado em vários semicírculos, toda iluminada, na Avenida Salim Farah Maluf. Havia muitos carros estacionados e eu empolgada disse a meu marido:
– “Poderemos conhecer esse espaço em nossa próxima saída. Deve ter uma grande variedade e boa qualidade, pelo número de pessoas que ali estão”.
Nossa amiga, então, boquiaberta, comentou:
– “Mas aí é apenas o velório do Cemitério da Quarta Parada!”
Até hoje, quando lá passamos, ainda damos boas risadas desse fato que aconteceu conosco.
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