Os anos sessenta marcaram história na infância e juventude da época.
Quando fui morar em São Paulo, no final de 1965 e depois no decorrer de 1966, os pré-adolescentes, como chamamos hoje, possuíam uma pequena associação chamada de "Clube da Turma de Dez", que se reunia para promover festinhas, desfiles,m atinés, hi-fis, aniversários, entre outras comemorações.
Comecei a frequentar o Grupo Escolar Rodrigues Alves e, na volta da escola, minhas primas e colegas comentavam as novidades.
Sei que me recordo que numa sexta-feira, uma delas disse: ”Amanhã teremos matiné com as músicas da Jovem Guarda e em especial, momentos com as canções do Rei Roberto Carlos. Cada menina levará um pratinho de doces e os rapazes levarão refrigerantes, sucos ou coquetéis de frutas; assim como discos”.
Fiquei intrigada e indaguei:
– Será que poderei ir com vocês?
E ela respondeu:
– Não sei, não. Você ainda não possui idade, não tem discos.
– Falta apenas um ano! E o disco posso arrumar com meu primo e convidá-lo também. – respondi – Eu levarei um prato com brigadeiros, prometo ser dos grandes e minha mãe faz uns que são deliciosos.
Ela pensou, pensou e disse para uma colega:
– Carmem,o que você acha?
A menina respondeu:
– No prédio aqui da Almirante, todas nós estamos convidadas e também meu irmão e os meninos.
Minha prima acrescentou:
– E também muita gente da turma, que mora em casas.
Concluindo, a tarde de sábado chegou e subi a Rua Almirante Marques de Leão com um primo de minha idade. A festa seria na casa de uma jovem chamada de Cidinha, se a memória não me falha. Batemos três palmas e logo minha prima e um vizinho da mesma idade dela apareceram para atender. Ouvimos da porta o som de música animada e sentimos o cheiro de cachorro-quente e de perfume Bem-me-quer da Avon. Quando ela nos olhou, logo argumentou:
– Esperem que vou falar com a dona da festa e consultaremos também a turma.
Esperamos por uns cinco minutos. Quando ambos voltaram, só pelas aparências percebemos que não teríamos passes livres. Agradecemos e devoramos os brigadeirões já na descida da rua.
Chorosa, porém gulosa, eu repetia toda hora:
– Também nunca mais vou querer pertencer ao "Clube da turma dos dez".
Porém, entendi naquela mesma tarde que "direitos são direitos" e passamos a tarde ouvindo discos na radiovitrola de uma outra prima e apenas comendo pipocas.
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