Tempestade de primavera em São Paulo

Estando no meu consultório à espera dos clientes da tarde, fui recebendo ligações dos mesmos, transferindo a consulta para outro dia em decorrência da chuva torrencial que acabara de cair sobre São Paulo.

Uns diziam que, apesar de próximos, jamais chegariam no horário devido à lentidão do trânsito, outros que se encontravam ilhados.

Aliás, na reportagem do horário do almoço, a jornalista já havia anunciado tal fenômeno e que seria dos fortes, devido a uma frente fria que vinha do oceano… Ou será que era do sul? Enfim, não lembro, sei apenas que estas tempestades, seja de onde se originam, faz parar a minha querida cidade, com faróis queimados, bueiros entupidos, formando poças enormes, assustando os motoristas mais prevenidos.

E o que dizer das pessoas que dependem do transporte público para se locomoverem a qualquer parte desta metrópole que, em dia de chuva, esquece o bem querer que muitos têm por ela e resolve, sem dó nem piedade, lavar a alma e mostrar todo o caos que muitas vezes tentam esconder.

Para passar o tempo até a próxima sessão, recorro à memória e lembro da expressão “São Paulo da garoa”. É, esta cidade assim era conhecida.

Quando pequena, em visita à casa de minha avó materna, no centro de Santo Amaro, lembro que no final de algumas tardes, quase sempre baixava uma neblina que logo se transformava em fina chuva. Para nós, crianças, significava mudar de brincadeira; para os adultos se resolvia colocando água no fogo e arrumação da mesa da cozinha para um café cheiroso.

Ouço ao longe o som das sirenes anunciando problemas. Naquela época, ouvir o mesmo som despertava em todos a preocupação de algo muito sério a ocorrer. Hoje, apenas mais uma chamada dentre tantas,e que anunciam os estragos que resultaram da tempestade desta tarde, ainda de primavera na minha querida São Paulo.

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