História que vovó não contou

26 de julho é a data comemorativa do dia da vovó. Homenageando a minha, que por um longo período dos anos 30 e 40, foi moradora da famosa habitação coletiva da Rua Rui Barbosa, 468 – Bela Vista. Escrevemos uma poesia que serve também para homenagear as vovós viventes como também aquelas que não estão mais entre nós, mas que com muito amor e carinho embalaram seus netos e netas desde os primeiros momentos de vida e que perpetuaram esse amor e carinho por toda sua vivência.

ERA UMA VEZ UMA VELHINHA
Cabelo branco, já tinha
Ela era minha avó.
Tinha já setenta anos
E até, se não me engano
Pra oitenta, faltava um só

Sabia contar história
E tinha tanta memória
Que dava gosto de ouvir
Contava bem direitinho
Não errava nem um pouquinho
Sabia até, fazer rir!

Contou-me a história do Rato,
Da Raposa, a Onça e o Gato
Que viviam em intriga
E aquela outra gostosa
Que é hoje tão famosa
A Cigarra e a Formiga

Eu ainda bem me lembro
Foi no fim de um setembro
Que a última história contou
Era uma história comprida
Falava de tanta vida
Mas da sua, não falou

Dias depois, coitadinha
Vieram buscar vovozinha
Foi Deus, eu sei, que a levou
Me lembro bem desse dia
Vovó deitada, dormia
Mas nunca mais acordou

Hoje minha vozinha
Que pra todos foi tão boazinha
Só faz a gente chorar
É só lembrar da verdade
Dela só existe a saudade
Que nunca mais vai passar

Belas histórias contava
Mas nenhuma começava
Como começou a minha
Sua história não me contou
Por isso não começou
ERA UMA VEZ UMA VELHINHA…

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