O estômago curou meu coração.

Já disse aqui, que São Paulo é a terra de todas as raças, cores, credos, etnias e religiões. Mas esqueci-me de fazer jus a outro atributo de São Paulo.

Como de resto a todas as pessoas, minha vida também teve flores e espinhos. O momento que os espinhos mais estiveram presente foi em 1988, quando ruiu definitivamente meu primeiro casamento. Sai de casa e fui morar na casa de um grande amigo meu solteirão, que vivia sozinho em uma casa grande, Já como um dos seus quartos estava vazio, nele me ajeitei, até dar novo rumo a minha vida.

Quem já se separou sabe que todo casamento destruído, quando não há ofensas (no meu caso), é sempre um fracasso. A gente fica triste, deprimido, acabado. Não tem vontade de fazer nada. Só continua, porque a vida, senhora do nosso destino, todas as manhãs nos chama para continuar. E assim estava eu.

Em uma bela tarde de sábado, o Carlos, meu amigo, disse:
– “Vou te levar num lugar, que se você não se alegrar lá, não se alegrará em lugar nenhum.”.

Fomos e no caminho pensei que ele fosse me levar numa casa de tolerância qualquer. Ledo engano meu. Ele levou-me ao restaurante Família Maccin e como era habitual deste lugar, chegando foi logo pedindo o de sempre. Na entrada do prato, vieram umas torradinhas acompanhadas de sardela; nunca tinha saboreado nada igual, era um manjar dos deuses! Realmente depois de muito tempo, me alegrei com alguma coisa.

Vendo que a terapia tinha dado resultado começamos a diversificar: comida alemã, grega, indiana, mexicana, chinesa, italiana e por aí vai. Conforme meu estômago se alegrava, meu coração sarava, até cicatrizar totalmente.

E assim percebi que além de todas as cores, raças, credos, etnias e religiões, São Paulo é também de todos os sabores.

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